MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

“O sol também se levanta…

… só o meu p¨&* que não.”

Refleti um pouco e cheguei à conclusão de que o Hemingway deixou o (bonito) título do livro incompleto de propósito. Você precisa só ter um pouco de cara de pau pra completar o título como eu completei, mas se der uma lida nessa obra aí, vai entender logo de cara do que eu estou falando.

“O sol também se levanta” foi publicado pelo velho Ernesto em 1926 e relata justamente o período entre a Primeira e a Segunda Merdas Guerras Mundiais.

A trama é contada do ponto de vista de um jornalista norteamericano que mora em Paris: Jacob Barnes, o Jake.

Se você pesquisar um pouco sobre nosso velho Ernesto, vai sacar que o livro é bem autobiográfico, na real. (Vamos torcer para que o texto não seja autobiográfico em todos os detalhes, porque né…). Ele era um jornalista na terra de Tio Sam e, quando a Primeira Merda Guerra Mundial estourou, se alistou por vontade própria. Quando voltou, porém, não estava mais na pegada do país. Tudo lhe parecia fútil, e o próprio jornalismo tradicional havia perdido o sal. *todos chora* Então o que ele faz? Vai pra Europa e passa a viver como um verdadeiro militante da leva de escritores da geração perdida.

Se você acha que bebe móóinto e causa paaaacas na balada, meu amigo, você é um novato, um amador, um pobre inocente iludido. O velho Ernesto e seus amigos riem da sua vodka barata com refrigerante, está me entendendo? Esses caras tomavam duas garrafas de vinho antes do almoço, só de curtição. E assim: eles eram escritores e de fato tinham alguns neurônios pra embriagar. Sim?

Nosso querido velho ainda teve a manha de se alistar na Guerra Civil Espanhola e ser correspondente jornalístico. E foi nessas aventuras pela España que ele começou a manjar alguma coisa da cultura de lá.

Esse é um dos trunfos de “O sol também se levanta”. Por meio do Jake, o velho dá descrições super realistas dos lugares por onde passa; tanto da paisagem em si como dos roteiros, isto é, os transportes que usou, em que ruas entrou, em que hotéis ficou etc. E, mais que isso, Ernestinho consegue descrever maravilhosamente bem a fiesta de San Firmín que rola em Pamplona, uma cidade basca.

Imagine sete dias ininterruptos de fiesta – música, dança, bebida, ~curtição~. Praticamente um Carnaval. Mas se o seu estômago é mais ou menos, cara, cuidado. Eu sou vegetariana e contra a crueldade com animais, mas em 1930 ninguém estava muito atento a isso, não. E a fiesta é nada mais, nada menos, que uma tourada. E das sérias. Então sim, você vai ler páginas e páginas sobre touros sendo mortos, com descrições precisas sobre as artes tauromáquicas, e também sobre touros matando bois e cavalos, e chifrando e pisoteando legal pessoas durante as corridas.

Uma droga, né, mas isso acontecia naquela época e ponto final. Mas o melhor do livro é o jogo emocional – e constantemente no limite – que rola entre os personagens. Jake é apaixonado por Brett, uma lady inglesa nos seus 30 anos e altamente moderninha. E ele tem outros 3 amigos que serão fundamentais na trama: Cohn, um escritor-boxeador-judeu, Bill, um escritor legalzão, e Mike, um falido que fala as coisas que todos temos vontade de falar e não falamos. E a Brett, meus amigos, é noiva de Mike – mas conquista todos os marmanjos de plantão sem medo de ser feliz. Ela é aquele tipo de mulher que adora curtir suas presas em banho-maria. E mais que isso, ela é uma mulher culta e de classe que dorme com quem quiser. Naquela época, hein! Ela terá as manhas, meus queridos, de abandonar seu falido noivo pra pegar um jovem toureiro de 19 anos e fugir com ele – simplesmente porque ele era um lindo chamado Pedro Rrrromero.

Particularmente, eu acho que Brett decepciona no final. Quando você começa a admirá-la por sua crueldade e trueheavymetalzice, ela volta a fraquejar. Afinal, parece que Brett é apaixonada por Jake, nosso herói, mas não fica com ele porque tã-dã! ele foi ferido na guerra em seus genitais e, podemos concluir, seus ferimentos o impedem de fazer sexo. Logo, Brett simplesmente não vê como um relacionamento seria possível sem sexo. Pode isso, Arnaldo?

Tramas à parte, o livro vale pelos engraçadíssimos diálogos de gente bêbada que rolam durante boa parte do livro e pela tensão entre os personagens, além do relato histórico das touradas.

Vou dar quatro hunterzinhos porque sei que o livro pode ser revoltante e um pouco entendiante em alguns momentos. Ou seja, é só pros bons. (Eu mesma demorei alguns meses até ficar a fim de ler pra valer, ¬¬”)

Classificação:

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3 comentários em ““O sol também se levanta…

  1. Sônia Lins
    20 de junho de 2011

    Você escreve com muita leveza, porque nos provoca risos, mas também com muita profundidade e severidade, porque tem conhecimento contextualizado e criticidade.
    Adorei, adorei demais a idéia do seu bebê jam sessions, realmente ( se me permite ) me sinto-me uma avó muito coruja e cheia de orgulho e mimos para dar!

  2. Pingback: Vagabundo, imprestável e bêbado… « jam sessions no metrô

  3. Pingback: Vagabundo, imprestável e bêbado… | Os Sem Biblioteca

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Publicado às 20 de junho de 2011 por em Cultura in(útil), Literatura e marcado , , , .
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