MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

The first rule of the Fight Club is…

Um silêncio pesado cai. Os homens olham.
Tyler Durden: Eu vejo no clube da luta os mais fortes e mais inteligentes dos homens que já viveram – toda uma geração sendo frentistas de postos de gasolina, servindo mesas em restaurantes ou escravos com colarinhos brancos. A propaganda os faz perseguir carros e roupas, faz com que eles trabalhem em empregos que odeiam para que eles possam comprar merdas que eles não precisam.
Nós somos os filhos do meio da história, sem propósito ou lugar.
Nós não temos nenhuma grande guerra, ou grande depressão. A nossa grande guerra é uma guerra espiritual. A nossa grande depressão é a nossa vida. Nós fomos criados pela televisão e ela nos fez acreditar que seríamos milionários, deuses do cinema e estrelas do rock – mas nós não vamos. E nós estamos aprendendo esse fato… e estamos muito, muito putos.

Na minha opinião, uma das melhores falas do cinema. O Brad Pitt merecia um Oscar por isso. Edward Norton e Helena Bonham Carter (igualmente impecáveis) também orquestram toda a ação do filme.

Mas o filme, de 1999 é – surpresa – um livro lançado três anos antes. Uma coisa que sempre me chamou a atenção é que o personagem principal não tem nome.

O livro (Fight Club – a novel), escrito por Chuck Palahniuk (@chuckpalahniuk), é cru. A todo momento você se vê no porão aonde os encontros do clube aconteciam. Um traço nas obras de Palahniuk – que é jornalista – são os personagens sempre marginalizados pela sociedade. Um traço bastante interessante dele é que o começo das suas histórias traz sempre o fim cronológico – Tropa de Elite 2, do José Padilha também faz isso – e o protagonista conta os eventos que levaram a história até esse ponto e nesse momento ocorre uma virada inesperada na história. Eu acho essa forma de narrativa bastante interessante.

O livro parece um soco no estômago e um dedo apontado bem no meio da sua cara, criticando todas as nossas atitudes cotidianas de sociedade ocidental. Tenso. Quando eu li comecei a me sentir envergonhado da minha vidinha corrida entre trabalho em uma farmácia de manipulação – passava o dia inteirinho em um espaço de 1m² e de lá, corria pra faculdade de jornalismo. Não tinha um puto no bolso e tinha que aguentar um monte de merda de um monte de gente. Comecei a compartilhar a raiva que o protagonista começa a sentir de tudo.

Mas foi uma fase, passou. hehehe

Tyler Durden: Atenção: Se você está lendo isso, então este aviso é para você. Cada palavra que você lê dessa impressão inútil é outro segundo perdido na sua vida. Você não tem outras coisas para fazer? A sua vida é tão vazia que você honestamente não consegue pensar em uma maneira melhor de passar esses momentos?  Ou você está tão impressionado com a autoridade que você dá respeito e credibilidade a todos que pedem? Você lê tudo o que você deveria ler? Você pensa tudo o que deveria pensar? Compra o que dizem que você quer? Saia do seu apartamento, conheça alguém do sexo oposto. Pare de fazer compras e se masturbar excessivamente; Pessa demissão. Comece uma briga. Prove que está vivo. Se você não reclamar a sua humanidade, vai virar estatística. Você foi avisado. Tyler. 

Outro conto desse cara pirado é Guts, publicado na Playboy americana em 2004.

O impressionante no livro e no filme são as tiradas irônicas – literalmente ácidas – e filosóficas. Isso torna a história algo muito mais profundo do que a pancadaria.

Alguns desses trechos, muito bem presentes nas duas mídias, pode ser conferidas no vídeo abaixo.

Tyler Durden: Cale a boca! Nossos pais são os  nossos modelos de  Deus. Se nossos pais nos largaram, o que isso lhe diz sobre Deus?
Narrador: Não, não, Eu. .. não …
Tyler Durden: Me escute! Você tem que considerar a possibilidade de que Deus não gosta de você. Ele nunca quis você. Com toda a probabilidade, ele te odeia. Esta não é a pior coisa que pode acontecer.
Narrador: Não é?
Tyler Durden: Nós não precisamos dele!

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Publicado às 24 de junho de 2011 por em Cinema, Cultura in(útil), Literatura e marcado , , , , .
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