MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

We’re all MAD here

Antes de começar a escrever, dei uma olhadela na Wikipedia a fim de ver o que tá pegando no mundo em 4 de julho. Acho uma boa ideia pra adotarmos por aqui, relacionar os posts com acontecimentos históricos, desde que possível. E dessa vez eu dei sorte: 4 de julho não é só o dia da declaração de independência do Tio Sam, ou da ocupação de Amsterdã pela França, ou do aniversário de morte do Monteiro Lobato (o que super valeria um post também). É também aniversário de 146 anos da publicação de Alice no País das Maravilhas

Por duas vezes, a Disney deu um empurrãozinho e gerações e gerações conhecem a história da pequena Alice via cinema e Sessão da Tarde. Uma vez, em 1951, com a animação clássica. Alice foi a terceira heroína da Disney, depois de Branca de Neve e Cinderella.

Cheshire cat: Pra onde quer ir?

Alice: Ora, realmente não importa, desde que eu…

Cheshire Cat: Então… não importa… que caminho… tomar! (:

Aprendam com o gato

E outra, em 2010, quando a Disney descolou mais uns bilhões de dólares com uma adaptação da história feita pelo genial Tim Burton, em parceria com seus musos Johnny Depp e Helena Bonhan Carter. Dessa vez, a Alice retorna ao buraco do coelho já com 18 anos, fugindo de uma realidade bem mais ou menos.

~Hellooooooo~

Mas na real, o  Charles Lutwidge Dodgson (aka Lewis Carroll) não precisou de tanto. Em 1865, quando esse professor inglês de matemática  publicou pela primeira vez as aventuras de Alice, o livro já foi um sucesso – ele foi traduzido para mais de 125 línguas e só na língua inglesa teve mais de 100 edições, muitas delas sem dar quaisquer direitos ao autor, olha que beleza de capitalismo.

Ó que gracinha

Reza a lenda que o Lewis (vamos respeitar a vontade do cara) passeava de barco pelo rio Tâmisa com a família de Henry George Liddell, seu amigo e vice-chanceler da Universidade de Oxford (portanto empregador do professor Charles) quando a história de Alice surgiu. A caçula dessa família e musa de Lewis se chamava Alice Pleasance Liddell e era bem diferente das loirinhas de Walt Disney.

Ele pegava pessoas e elementos da paisagem original e os transformava em personagens, lugares e ações fantásticas – histórias divertidas para a menininha, do jeito que as crianças gostam.

Alguns amigos o aconselharam a escrever o que dizia e voilà, publicar! Isso que é amigo. Então, o que era uma historinha pra criança acabou sendo lida pela Rainha Vitória (óóó) e por um tal cara que eu curto muito chamado Oscar Wilde. Vamos falar dele em algum post, for sure. 🙂

E por que adultos como eu (hehe tá, quase adultos) também podem curtir tão perfeitamente bem a narrativa do Lewis? Acontece que o livro é uma das maiores obras surrealistas da Inglaterra, com críticas subjetivas, ofensas implícitas a inimigos do Lewis (hoho) e enigmas matemáticos e toda sorte de referências a sonhos e mistérios que nós adoramos. *-*

O Cheshire Cat, por exemplo, que é total meu personagem favorito, é inspirado num ditado inglês que diz algo como “sorrir como um gato de Cheshire”. Esses gatinhos são da raça British Shorthair e são uns lindos. Eles têm constantemente um sorrisinho maroto na cara, o que combinou muitíssimo bem com o personagem do livro. Você não sabe realmente se ele tá sendo irônico ou não, se deve confiar nele ou não (como acontece com todos os gatos, na real). E essas nuances de caráter duvidoso e sacana estão em todos os personagens que já conhecemos: o Coelho, o Chapeleiro Maluco, a Rainha de Copas

Além de diversos outros contos, uns anos depois o Lewis escreveu mais um livro famosão, o igualmente psicodélico Alice Through The Looking Glass, que super vale um outro post especial.

Se você não leu quando criança, leia agora, se divirta e não se esqueça de fazer esse favor a sua prole. Se você já leu, então releia. Certeza que vai descobrir coisas que não tinha percebido antes. Claro que você tem que levar em consideração que a linguagem do século XIX era diferente, né. As pessoas costumam se decepcionar com os clássicos porque esperam que caras que morreram MUITO tempo antes de inventarem o brigadeiro (*-*) escrevam com essa linguagem mais ou menos que usamos hoje e você lê aqui. Cai na real, ok? 🙂

E teve boatos…

… de que o amor Lewis por crianças, em especial pela pequena Alice, tinha na real um pezinho na pedofilia. Não podemos comprovar nada, né, então calma amigos. Isso não tira o valor literário do livro. O Lewis abriu uma creche beneficente e a verdadeira Alice cresceu, se casou, teve três filhinhos e, quem diria, se dedicou a divulgar a obra dele. Claro que você pode chamar isso de Síndrome de Estocolmo, mas vamos acreditar que a humanidade é boa antes de cair em desilusão, ok?

Especial pra Maíra Lins (aka Lil’sis)

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Publicado às 4 de julho de 2011 por em Cinema, Cultura in(útil), Literatura e marcado , , , , .
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