MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Itinerante Ep. 5 – Brasília

Preciso começar confessando que acredito que Brasília foi apenas a utopia de um megalomaníaco apoiado nos traços de um artista. Porém, você não pede para um cozinheiro pintar um quadro. Ok. Os arquitetos pensam cidades. Mas eu ainda penso que as cidades só são boas quando as pessoas fazem isso dela. Isso é, muito mais do que qualquer plano utbanístico, o que dá o espírito a uma cidade.

Brasília lembra um terreno muito pouco natural, mesmo com as suas árvores e jardins. Eu adoro o trabalho do Niemeyer, acho as construções dele fantásticas, frutos da cabeça de um gênio. Mas toda uma dinâmica sombria povoa o que talvez seja a sua obra prima – é triste.

Ela transpira a década de 1960 em seus carpetes e mármores, uma época em que os homens de respeito usavam óculos de armação grossa e fundo de garrafa, ternos, bigodes gigantescos (alguns ainda os ostentam) e batiam as suas cinzas em onipresentes cinzeiros. Tenta se dar a pompa de aristocracia Vitoriana a comedores de arroz, feijão e empregadas. Ainda assim, o orgulho dos engravatados de Brasília se apoia na nossa vergonha por entender mais do que está escrito em um jornal do que eles mesmos. Preferimos varrer pra debaixo do tapete. E ainda assim, a gente precisa pegar ônibus e trabalhar a vida inteira pra conseguir uma parte do que eles roubam durante um mês. Muito dinheiro embrenhado em seus papéis de burocracia desnecessária. Desse jeito, meio torto, a gente vai construindo o nosso país.

Brasília é – pelo menos – uma cidade curiosa.

Mas tá tudo bem, deu pra visitar uns pontos turísticos, almoçar uma comida baiana e assistir a uma boa roda de capoeira. Tirando o final de semana que a cidade fica bem vazia, logo na segunda, pela manhã, a agitação de uma metrópole fez as coisas ficarem mais interessantes.

Ainda assim, eu não me dou o luxo de estar certo. Tenho certeza e conto – pelos brasilienses que conheço – que com o tempo, o movimento orgânico vai dando a vida necessária pra cidade e quer queiram ou não, o Distrito Federal condensa o espírito de nacional.

Veja mais fotos de Brasília aqui.

Brasília – Plebe Rude

Capital da esperança 
(Brasília tem luz, Brasília tem carros) 
Asas e eixos do Brasil 
(Brasília tem mortes, tem até baratas) 
Longe do mar, da poluição 
(Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas) 
mas um fim que ninguém previu 
(Árvores nos eixos a polícia montada) 
(Brasília), Brasília

Brasília tem centros comerciais 
Muitos porteiros e pessoas normais 
(Muitos porteiros e pessoas normais)

As luzes iluminam os carros só passam 
A morte traz vida e as baratas se arrastam 
(Utopia na mente de alguns…) 
Os prédios se habitam as máquinas param 
As árvores enfeitam e a polícia controla 
(Utopia na mente de alguns…) 

Oh.. O concreto já rachou! 
Brasília….

(…….)

Os comércios só vendem
e os porteiros só olham
E essas pessoas elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! (Brasília…) Nada! (Brasília…)
Nada! (Brasília…) Nada! (Brasília…)

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Informação

Publicado em 20 de julho de 2011 por em Itinerante.
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