MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Itinerante – Os Sem Esporas – os novos sertanejos

Texto publicado no blog “Os sem biblioteca” em 12/08/11 sobre as músicas que escuto por aqui. 

O cowboy está pendurando as botas. Está pegando um tênis, aposentando os mullets e deixando o cabelo espetadinho. Os sertanejos estão virando cowboys do asfalto. Ummm… Na verdade, acho que essa não é a melhor definição. Talvez “cowboys wannabe da cidade que nunca viram um cavalo na vida” seja melhor.

Aonde foram parar os mullets dos anos 1980?

Eu não sei.

Quem nunca ouviu sertanejo? Não o dito sertanejo de raiz, mas aquele que nós, crianças nascidas na década de 1980, devemos em algum momento – no rádio toca fitas do carro dos pais ou em algum toca LPs em alguma festa da família – ter ouvido Temporal de amor, É o amor, Fio de cabelo, Evidências e por aí vai.

Depois dos “Amigos”, que passaram pra uma cena mais restrita animando festas de rodeio pelo interior do Brasil, na segunda metade dos anos 1990, Rick e Renner, Gian e Giovanni, Bruno e Marrone entre outros carregaram a tocha, soltando algum hit de tempos em tempos e aparecendo nos programas dominicais.

Mas agora, dos anos 2000 pra cá, como um movimento silencioso, o sertanejo está ganhando uma nova roupagem e está atingindo o circuito universitário.

Ok, isso também aconteceu com o forró e outros estilos, que ganham essa nova roupagem “universitária” e têm o seu momento.

Agora, até quem se irritava com os olhinhos tortos do Luan Santana já deve ter memorizado um refrão ou outro das suas músicas.

Eu confesso que me rendi à parceria entre Chitãozinho e Xororó e Fresno. Musicalmente falando, os artistas são competentes e, se você menospreza, vá olhar uma cifra de uma música da dupla sernateja – é dificílima. Eles usam uns acordes impossíveis para os tocadorezinhos de violão de festas de família – meu caso (embora minha namorada discorde!).

O fato é que o estilo é o campeão de vendas desse ano. Paula Fernandes vendeu 1 milhão de cópias, por exemplo (sem contar o que deve rodar de pirataria). Isso também mostra mais nomes femininos e ainda mais expressivos em vendas do que as antigas Sula Miranda e Roberta Miranda.

Hoje eu estou em Ipameri, interior de Goiás. E, viajando pelo interior desse peculiar estado caipira (sem nenhum tom pejorativo), é impossível ficar sem ouvir uma cantiga ou outra – agora com guitarras elétricas, entre outras coisas.

Nessa matéria da Ilustrada (Novos sertanejos viram trilha sonora de pegação em baladas A e B) existe uma análise interessante do estilo. Antes, se falava de dores de corno e saudade da terra. Hoje, embora o chifre ainda esteja lá, fala-se muito mais de baladas e do cotidiano babaquinha do público universitário atual.

Atenção pro solo de guitarra aos 2’12”

Mas o que está até agradando os meus ouvidos é essa pegada mais elétrica e caída no rock de uma maneira muito mais perceptível. A mistura de alguns elementos novos nas bases sertanejas é um movimento musical interessantíssimo. Ainda assim, não é minha praia. Mas pelo menos não me faz mais passar raiva ouvindo.

Uma confissão: eu adoro essa música aqui, ó:

Um serviço:

SERTANEJO POP FESTIVAL
QUANDO: sábado a partir das 14h e domingo a partir das 13h
ONDE: Chácara do Jockey (av. Pirajussara, s/nº, Vila Sônia)
QUANTO: de R$ 100 a R$ 300
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos

Classificação:

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Informação

Publicado em 12 de agosto de 2011 por em "Interantissedades", Itinerante.
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