MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Rum: Diário de um jornalista bêbado

Esse post era pra ter saído na semana passada. Mas eu estava apenas esperando sair o trailer completo da adaptação do livro pra dividir com vocês. O livro, encontrei sem querer em um shopping de Goiânia. Tava lá, me encarando naqueles totens da LP&M pocket. Comprei uma revista, o livro por R$18,00 e até o vendedor demonstrou interesse e me perguntou do que se tratava… expliquei que era de um jornalista bão e que ia sair um filme esse ano da história… O livro é tão bão quanto o autor e passou na frente da fila dos outros seis que estou carregando na mala de viagem.

Legal, né?

The Rum Diary (Rum: Diário de um jornalista bêbado), de Hunter S. Thompson é uma delícia. Você se imagina nas praias quentes de águas cristalinas de Porto Rico…não, não é bem assim. Você também percebe logo de cara a desigualdade inerente aos países do lado de cá do equador – ainda mais nos anos 1950. Mas até os lugares mulambentos tem o seu charme quando se está no caribe e bêbado, muito bêbado.

A história é contada por Paul Kemp, que se muda da gelada Nova York para trabalhar no Daily News, em San Juan, Porto Rico. Isso, em 1958. Os próprios porto riquenhos da história são coadjuvantes,  são os americanos que moram lá que direcionam o enredo.

Thompson não vai além da sua própria percepção e não arrisca descrever a ilha pelos olhos dos nativos, mas sim pelos olhos do grupo que ele pertencia, toda a cambada de imigrantes-gafanhotos-colonizadores estadunidenses. E como não poderia ser diferente com um personagem de Thompson, Kemp é um beberrão de primeira, violento e inteligentíssimo. Ele vai descrevendo – sempre puxando detalhes inusitados e interessantes – o cotidiano da ilha naquela época, sua geografia e seus hábitos. Como era o trânsito, aonde se tomar café ou uma refeição e aonde ir à praia.

Thompson no Caribe
Em 1960 ele se mudou para San JuanPorto Rico, para trabalhar em uma revista de esportes chamada El Sportivo. A revista durou pouco tempo e Thompson foi viajar por vários países da América Central e da América do Sul, trabalhando como free-lancer para diversas publicações. Conseguiu um trabalho fixo como correspondente do jornal National Observer na América do Sul. De volta aos Estados Unidos, trabalhou como segurança, e escreveu dois romances, Prince Jellyfish e Rum: Diários de um jornalista bêbado (Conrad Editora, 2005), além de diversos contos, que não foram publicados. (wikipédia)

A construção desse alter ego impressiona porque Thompson foi para lá com 22 anos (caramba, o cara era mais novo que eu =/) e ainda assim, consegue descrever as impressões, emoções e inseguranças de um jornalista dez anos mais velho(!).

Kemp é um cara inseguro, que procura saber o que fazer da própria vida. Sempre pulando de um lugar para o outro ele também está em um dilema em Porto Rico, continuar  por lá e fincar raízes ou pegar o primeiro avião assim que se encher o saco e ir pra Cidade do México ou América do Sul?

“Feliz”, murmurei, tentando definir aquela palavra. Mas essa é uma daquelas palavras que nunca consegui entender direito, assim como Amor.Muitas pessoas que trabalham com palavras não confiam muito nelas, e não sou exceção – especialmente quando se trata de palavras grandiosas, como Feliz, Amor, Honesto e Forte. São Palavras fugidias, relativas demais quando comparadas a palavrinhas afiadas e maldosas como Marginal, Vagabundo e Charlatão. Com essas me sentia em casa, porque são mirradas e fáceis de definir, mas as grandiosas são difíceis. Você precisa ser um sacerdote ou um tolo para usá-las com alguma segurança.

E como sempre, vai uma crítica para a classe da imprensa.

Não faltava bebida de graça para a imprensa, porque todo vigarista adora publicidade (…)Para essas festas, eu geralmente tinha  a companhia de Sala (Fotógrafo do jornal). Ao verem sua câmera, os convidados viravam geleia. Alguns deles se comportavam como porcos amestrados. Outros se agrupavam como ovelhas, todos aguardando o momento em que o “cara do jornal” apertaria seu botão mágico e faria sua opulenta hospitalidade valer a pena. (…) Tentávamos chegar cedo e, enquanto Sala reunia os convivas para uma série de fotografias inúteis que provavelmente nunca seriam reveladas, eu roubava o máximo de garrafas de rum que conseguia carregar.

O Johnny Depp interpretar o Thompson – de quem era um grande amigo – não é novidade. Mas isso é assunto pra um post só sobre Medo e delírio em Las Vegas.

*Uma curiosidade, Depp foi quem bancou o funeral de Thompson.

Paul Kemp é quase um Jack Sparrow jornalista. Talvez um pouco mais violento e introspectivo. Ainda assim, o livro é ótimo e o filme com certeza não vai deixar a desejar.  

Rum estreia em 28 de outubro nos EUA e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil – armem os seus buscadores torrents. 😉

OBS: Um dia eu escrevo um post só sobre o Thompson, ele merece. To esperando dar aniversário de morte ou de nascimento dele, porque afinal, repito – ele merece. E aí eu falo da sua história recheada de episódios absurdos metido com motoqueiros selvagens, traficantes de drogas, mulheres xexelentas, redações xexelentas etc e tal.

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