MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Ney: Bamboleô, bamboleá A vida eu levo cantando Pra não chorar

Um dos intérpretes mais ativos do Brasil. Ele fez de tudo um pouco, ingressou na Aeronáutica, trabalhou no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Baase do Distrito Federal, ator, produtor, hippie, artesão, cantor, diretor, iluminador. As faces de Ney Matogrosso são tão ricas quanto os seus figurinos e maquiagens.

Antes mesmo do KISS fazer isso, ele se pintou com seu grupo e fez um verdadeiro estrondo cultural no início da década de 1970. Com um texto muito competente de João Ricardo, Paulinho Mendonça, João Apolinário e a interpretação curiosa de Ney, escandalosa para os padrões militares da nossa história recente, esse esguio ser de sexualidade dúbia teve muito cojones. 

Quem acompanhou a carreira do RPM nos anos 1980 deveria saber que quem dirigiu o show deles na turnê Rádio Pirata, foi o Ney. Ele também teve um longo caso amoroso com Cazuza.

se canto sou ave, se choro sou homem,
se planto, me basto, valho mais que dois
quando a água corre, a vida multiplica
o que ninguém explica é o que vem depois…

Mas sinceramente, apesar de vez em quando a sua figura me causar curiosidade quando via na televisão, no início dos anos 1990, na minha infância e de ver minha mãe comentar o sucesso estrondoso que aquele homem fez, como cantor, sempre habitou uma área bastante periférica do meu gosto musical.

Até que vi um show há poucos anos, na televisão, e essa duas músicas, junto ao jeitão e figurino dele, e ao cenário…enfim, um espetáculo digno de um bom brasileiro, me fisgaram. Visitei, sem querer, uma Copacabana malandra e tradicional, boêmia e exótica, senti o cheiro do mar no calçadão de uma terra de fantasias, calorenta, com figuras imaginárias, sofisticadas e perdidas, bonitas por natureza, como num quadrinho do Zé Carioca…

Quando um show consegue fazer isso comigo, pela tela da televisão, reconheço que o artista deve ser completo.

Recomendo e muito

Bamboleô

Bamboleô, bamboleá

A vida eu levo cantando

Pra não chorar

Todos se queixam da sorte

Quase sempre reclamando

Mas eu que conheço a escrita

Deixo tudo e vou girando

Todo mundo vive triste

Fala, fala, o dia inteiro

O mal de toda essa gente

É a falta de dinheiro

Nesse mundo de ilusão

Só não goza quem não quer

Pois a vida só consiste

No dinheiro e na mulher

Tudo passa nessa vida

Nada fica pra semente

Não se matando a tristeza

A tristeza mata a gente

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Um comentário em “Ney: Bamboleô, bamboleá A vida eu levo cantando Pra não chorar

  1. reginapinheiro
    8 de outubro de 2011

    Caio, quando os anos 90 estavam terminando, Ney fez um show maravilhoso em Portugal e eu assisti. A voz magnífica e a escolha das músicas enfatizavam o desempenho daquele belíssimo animal (animal assim como a dizer pantera, onça, leopardo, jaguatirica)lhonrando a raça, no palco, E a Avenida da República era, aquela noite, um pedaço do Rio (não o Tejo). Um beijo da Regina.

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Publicado às 7 de outubro de 2011 por em Música e marcado , , , , .
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