MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Rockers – no more rock and roll

São Caetano do Sul,SP,Brasil, começo dos anos 2000,foi palco de uma revolução silenciosa. Um grupo de jovens garotos, bem no meio das suas adolescências estourando de energia criativa, sede de vitória, criatividade, festividade e testosterona foi o vetor da mudança de muitas vidas. Se não a de milhares de pessoas, pelo menos a dessas poucas dezenas de indivíduos que compartilhavam cenários conosco. Bares, avenidas, casas de shows, estúdios, ruas, salas de aula… Esses meninos podiam, se tivessem se unido num espírito de camaradagem leal e transparente, conseguiriam ser a nova cara do rock brasileiro. Assim como Brasília foi para a década de 1980, São Caetano do Sul seria na segunda metade dos anos 2000. Uma cidade aonde o cenário deu luz a diferentes bandas, com diferentes linguagens e rostos mas que se conheciam e que reversariam.

“O problema foi o resto do mundo. Nascemos no lugar e no tempo errado. Tenho certeza que em matéria de competência, não devíamos nada às grandes bandas dos anos 1960, 1970, 1980 e 1990. Tsc, é uma pena. Nos prendemos demais aos velhos trunfos de músicas estadunidenses, inglesas e australianas consagradas. Memesmo no sudeste brasileiro, nos víamos no oeste estadunidense com nossas cervejas e uísques em punho. Simplesmente não nos permitíamos – uns aos outros em gostar e escrever coisas na nossa língua e nos adestramos à formação épica de duas guitarras, baixo, bateria e vocal – em algumas poucas situações um teclado aparecia. Vivemos nossas vidas de rockstars nos nossos circulos pequenos e nossas escolas.

Mas sempre que um deles dava um passo pra frente, os outros quatro socavam-no tanto que ele ia parar lá no fundo do estúdio. Eles eram o  o Axel, o Bono, o Slash, o Bad boy, o Angus Young, o Gene Simmons, o Blues boy, o Tommy lee, o Tico Torres, o Joey Jordison. Tinham  tudo. Só não tiveram cimento pra dar liga a todos esses tijolos e construir mais uma magnífica sala nos palácios do rock.

Ouvindo o que o rock nacional nos atira hoje, sinto um pouco de pena e penso no meu íntimo, “se aqueles garotos tivessem se apoiado uns aos outros sem preconceito ou rixas pessoais, eles teriam se transformado em um novo expoente da música.”

Eles eram talentosos, algumas vezes, brilhantes e bastante ambiciosos.

Hoje sinto pena de alguns deles.

Nos trombamos no único bar da nossa tribo de vez em quanto. Eles estão rastejando em empregos que não gostam, esperando festas que não vem.

Sonhando sempre com o próximo final de semana, o próximo copo, o próximo cigarro. No fundo dos olhos de cada um, feras enjauladas, adormecidas, anestesiadas. Alguns nas empresas dos pais, outros andando com o carrinho que os pais deram, outros ainda, rastejando em caronas ou até a estação de trem, alguns outros brigando todas as noites contra a vontade de ventilar pó nos pulmões. Alguns caíram bem fundo, outros subiram, foram pra faculdade, se formaram, gostam do que fazem, amam.

Ainda assim, toda vez que colocam uma música no carro, nos fones de ouvido ou raramente empunham um violão ou uma guitarra, o sangue ferve em arrepios e saudades do palco. O palco aonde as luzes brilham, o suor escorre, os gritos sobem e a música treme. Sim, fique perto de um amplificador e sinta seu corpo tremer com os pulsos das poderosas caixas embaladas por guitarras distorcidas. Meu amigo, não há igual.

Eles têm  20 e poucos anos e já somam um grande arrependimento pra carregar pro resto de suas vidas.

Quantos será que não passaram por isso também?

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Um comentário em “Rockers – no more rock and roll

  1. Caue
    18 de julho de 2012

    Loko! Mas eu estou entre os felizes com a profissao! E realmente… na hora que boto os fones.. o sangue ferve e a memória vem a tona. abraco.

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Publicado em 7 de dezembro de 2011 por em "Interantissedades".
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