MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

CAJ 2012


Felicidade, muita felicidade. Há muitos anos que eu encaro o colosso às margens da marginal Pinheiros. Especialmente nesse ano de 2011 que meus trabalhos invariavelmente me fizeram passar pelas estações Pinheiros de metrô e trem ou pegar a hoje extinta Ponte Orca entre a estação Vila Madalena do metrô e a estação Cidade Universitária do Trem. A gente vê sua imposição das suas linhas ‘mudérrnas’ na paisagem paulistana lá  da ponte Cidade Universitária.

O assunto Curso Abril de Jornalismo surgiu logo no primeiro emprego, no primeiro ano da faculdade. Meu primeiro chefe e mentor fez o curso, logo depois, frilei em um veículo lá e minha editora também fez o curso. Conforme eles contavam suas experiências meus olhos brilhavam. “Quando pode fazer?”, eu perguntava. “No último ano da faculdade e um ano depois”.

Aqui, aproveito pra mostrar um e-mail, que foi também uma bronca e um afago na cabeça… que me ajuda MUITO até hoje.Trabalho de jornalista no texto

Ano passado foi meu último ano da faculdade. Inscrição pro CAJ, texto incerto, dúvida, frio na barriga…dor de barriga… e o email que nunca chegou. Depois a lista sem meu nome. Eita frustração danada.

Mas existe aquele verso cantado pelos Demônios, “Deus dá o frio, conforme o cobertor”.

Não era pra acontecer. Esse ano de 2011 foi pesado, mas foi mágico da sua maneira. Viajei meio Brasil, só cidade pequenininha, também teve capital, mas o charme ficou no boteco de Colinas do Tocantins, ou na sorveteria da praça de Ipameri. (Mas eu explico isso depois . O tema do texto de inscrição é o mais difícil. “Quem é você e por que escolheu jornalismo?” Me manda cobrir a Primavera Árabe, mas não pede uma coisa dessas. Escrever sobre mim mesmo, sobre meus sonhos, expectativas, incertezas…  rsrsrsrs Achei um jeito, “vou escrever sobre mim na terceira pessoa”. (Leiam “A Mulher do Próximo”, do Gay Talese)

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De qualquer maneira – reitero – ainda bem que não rolou ano passado, tinha que ser nesse ano. Aprendi muito nos últimos 12 meses. E absorvi ideias e sacadas na hora de escrever.

O texto saiu, foi. Fiquei agoniado esperando a resposta. E justo em um dia simples, numa terça-feira, eu estava em Lajeado, Tocantins. Meu 3g da Claro não tinha cobertura lá. Estava com um da Oi emprestado. Ainda assim, a conexão era preguiçosa. Abro meu e-mail à noite, cansado e tá lá, “Curso Abril de Jornalismo”. Clico e….. puf. A internet cai. Quase jogo o notebook pela janela no galinheiro do dono da estalagem.

Hotelzinho que eu fiquei em Lajeado

Muito tempo depois, finalmente, consegui ler a mensagem. “Parabéns, você é um dos 353 candidatos selecionados para a segunda fase do processo seletivo do Curso Abril de Jornalismo 2012, a fase das entrevistas…”

Delícia de sensação que logo foi suprimida pela ansiedade. Me chama, me chama, me chamaaaaaaaaa!

Me chamaram. No final de novembro to eu lá, encarando o prédio da abril, na minha cidade querida de São Paulo. Eu paro, eu olho para as pessoas que entram e saem pelas grandes portas giratórias. Eu as encaro fixamente, admiradamente, da mesma maneira que sempre fiz. E olho para os crachás, aqueles que te deixam passar na catraca. “Mãe, pai, eu quero de natal….um crachá da Abril!”

Mas lá fui eu, rumo à entrevista na redação da revista Claudia. #medo

Eu tenho consciência de que me expresso bem. Mas tenho consciência maior ainda que todo mundo pode travar nas piores horas. Mas prefiro me concentrar nos elevadores, no desenho do chão. Tento gravar na memória o cheiro da redação. Papel, café, carpete. A vista é incrível. Poxa, esqueci o andar que foi. Acho que o 14°. É, eu tava nervoso. Lembro de ver um grande quadro com o espelho da revista e ouvir alguém ao telefone discutir sobre algumas fotos de algum fotógrafo ou modelo. Não lembro se as mãos estavam suando ou estavam secas, se estava com um leve tremor ou não. Lembro de conversar com duas garotas que também estavam lá para fazer a entrevista. Espero que elas também tenham passado.

Aqui prefiro me reservar quanto ao conteúdo da entrevista e a jornalista divertida que conversou comigo. Pro pessoal que ler esse texto e passar por isso, tenho um conselho: O lance todo é um bate papo, relaxa (é difícil, eu sei, mas relaxa).

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“Até dia 10 sai o resultado”. Na última semana, os olhos no monitor, na conta do Facebook do Curso, do Twitter, e no meu e-mail. Minha tecla “F5” tá gasta.

Veio a manhã da sexta-feira (09) e nada. Fui almoçar com os colegas de trabalho, e nada. Medinho súbido. À tarde, no meio de um café e outro surge despretensiosamente o bendito e-mail. ¬¬ não precisei apertar o F5 nem nada e tá lá: “Parabéns, você é um dos 57 candidatos selecionados para participar da 29ª turma do Curso Abril de Jornalismo…”

Eu só li a primeira linha e já comecei a comemorar, recebi palmas aqui na redação ^^

Daí um outro medo súbito, “Putz! Deixa eu ler o e-mail inteiro… vai que…”

Vai que nada. Tá lá. Cliquei no link da página do curso e minha fotinho tava lá. Ô felicidade!

Pronto!

Agora sim, finalmente.

Publico aqui o texto que mandei pra me inscrever no curso e desejo uma boa sorte a todos que se inscreverão! E claro, parabéns aos CAJianos 2012!

Caio acaba de se formar jornalista. Nos quatro anos de faculdade, juntou mais de quatro horas diárias em sistema de transporte público lotado. (20 dias úteis por mês, 48 meses… Faz as contas e chora amigo). “Deveriam te dar um diploma por isso”, ele resmunga. 

De qualquer maneira, “tá no inferno, abraça o capeta”. Opa, isso não significa que você precisa abraçar as pessoas que te encoxam no metrô, no trem ou no ônibus. Mas já que o Caio inevitavelmente estava lá, preferiu se afundar em livros e música e que se danasse a galera suada, cheirando a salgadinho e pão de queijo de terceira categoria.

O rapazote escolheu jornalismo no colegial porque vivia com algum livro emprestado da biblioteca da Rua Cisplatina, no Ipiranga, dentro da mochila e sempre que encontrava alguma brecha – às vezes mesmo na sala de aula – sacava discretamente algum título e ia pra França ao lado de D’Artagnan, Porthos, Athos e Aramis, destruir os esquemas políticos do Cardeal de Richelieu. Ia escapar do Castelo de If junto a Edmond Danté e procurar vingança, seduzir alguma vítima junto ao vampiro Lestat, se apaixonar por Rita Baiana, passar raiva ao ver como João Romão tratava Bertoleza e por aí vai. 

Na verdade, Caio queria ser escritor. “Deveriam fazer uma faculdade para escritores, mas imagina!”. Então perguntam, por que não fazer letras? “Ora, porque a faculdade de letras forma leitores e não escritores”, resmunga de novo. 

No fim das contas, ele escolheu o jornalismo por causa do charme da profissão. “Vou frequentar a alta sociedade, ter passe livre em shows e eventos, ser amigo de celebridades. Eu vou ser uma celebridade! Os políticos corruptos vão me temer. Eu vou ser como Bob Woodward e o Carl Bernstein do caso Watergate!” Mas essas ideias foram secando da mesma forma que as espinhas no seu rosto. Uma ou outra ainda teima em aparecer, mas agora ele aprendeu a fazer o arroz com feijão e está até engordando. 

Já tomou muita bronca de editor, encarou muita gente que não queria dar entrevista – mas vai explicar pro chefe, né? – se desesperou com deadline, ficou na mão e teve que se virar sozinho em todo tipo de situação. Mas também já recebeu elogio por uma ou outra ideia no direcionamento de uma pauta, por um texto, uma entrevista, por conseguir falar com uma fonte difícil e viajou bastante a trabalho – o que ele adora.

Falando em viagem, agora, ele está viajando por cinco meses – de julho a dezembro – pelo interior de Goiás escrevendo em um blog sobre o projeto social de uma empresa farmacêutica. Viaja em um caminhão e em alguns dias come uma quentinha de picadinho com colher de plástico. “Ah o glamour de ser jornalista”, ele ri da ironia e lembra dos colegas de faculdade que menosprezavam o pessoal do curso de Rádio e Televisão e Publicidade.

O jovem jornalista morre de saudades de São Paulo, da família e dos amigos, porém, está feliz com a profissão que escolheu. 

Em um e-mail para um dos colegas de trabalho, escreve: “A experiência humana dessa viagem está sendo ímpar. Conhecer lugares, pessoas, costumes, sotaques, comidas e tentar abordar um assunto tão delicado como um problema de saúde como esse, realmente é um exercício e tanto. É difícil fazer com que as pessoas atingidas pela hanseníase se sintam a vontade falando sobre suas condições. Enfim, cada dia está sendo um leão pra conseguir uma entrevista, mas a perseguição é divertida e cada história que me contam, faz valer a pena todo o esforço.”

Assim que voltar pra casa, Caio pretende continuar suas aulas de alemão e ir pra terra de seus bisavós fazer uma pós graduação. 

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3 comentários em “CAJ 2012

  1. Marcel Verrumo
    14 de dezembro de 2011

    Que texto bom, Caio! Adorei.

    Parabéns.

    As linhas esbanjam estilo!

    Um abraço e até janeiro quando você pegará seu presente de Natal: o crachá.

    Marcel Verrumo

    • Caio Neumann
      14 de dezembro de 2011

      Muito obrigado Marcel!

      hehehe não vejo a hora de pendurá-lo no pescoço. Tomara que passe logo!

      Forte abraço e nos vemos em breve!

  2. Pingback: Página não encontrada | MIRANTE

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