MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Desabafo contra o pedantismo

É 00h37 e eu tô de saco cheio. Explico:

Lembra da minha resenha sobre Tieta do Agreste, do velhinho gordo e baiano mais legal do mundo? O Jorge Amado? Clica aqui pra ler. É que ainda faltam 100 páginas pra eu terminar esse gostoso folhetim de 640 páginas. Eu comecei a ler essa belezinha em Araguaína, no Tocantins, no dia 15 de fucking novembro (!!!).

Ok, um monte de coisas aconteceram de lá para cá.

Mas quem nunca deu uma puuuuuuuta empacada em um livro? Pior, ainda mais quando é um livro pelo qual você se apaixonou? Pelo menos uma vez no ano eu fico algumas – várias – semanas sem ler. Daí eu desenfreio e fico devorando tudo.

Pra mim, o barato de ler é que eu mando tudo à puta que o pariu e me fecho do mundo. Detesto ler por obrigação – digam-se os textos da faculdade/livrinhos cultos só pra parecer inteligente. Enchi uma gaveta inteira de xerox de um milhão de textos dos meus professores e foi tudo para o saco, literalmente.

Uma colega no trabalho comentou que a psicóloga dela levantou a seguinte ideia: se você está gostando muito de um livro, talvez vá demorar para terminá-lo justamente por um receio inconsciente de que ele vá acabar. Acho que eu passo por isso. Mas dessa madrugada não escapa. Essas 100 páginas vão acabar já!

Agora, olha só que belezinha entre os livros que eu comprei nos últimos seis meses do ano passado, tudo que eu tô aqui pra ler…

– O Livro do Boni
– O último dos moicanos
– A trilogia do Stieg Larsson
– O fantasma da ópera
– Tem três ali da Anne Rice
– Os contos dos irmãos Grimm
– Queen
– O fantasma da ópera
– O Corcunda de Notre Dame
– Crime e Castigo
– A República
– Do espírito das leis

E eu vou te contar, jornalismo é um tanto quanto filho da puta. Isso porque os últimos três livros estavam no curso e, dos 5% de gente da minha faculdade que se incomodou em os ler, de um dia para o outro viraram os senhores sabedores da política e ficaram acima do bem e do mal (sim, Nietzsche) . Mas, na hora de participar de uma assembleia pra saber das falcatruas do pessoal do DCE, ninguém mexeu uma palha; o caminho do boteco, das baladas e dos carros com o volume do som no talo da mãe joana eram bem mais interessantes.

Conheço pouquíssimas pessoas que escapam desse conceito que se formou na minha cabeça. Mas eu espero até a página 50 pra catalogar as pessoas – ou tento.

De qualquer maneira, esse post tá aqui só pra dizer, meu amigo leitor, que você tem que tentar ler até a página 50. Comece um livro, tente se envolver, depois vá lendo – mas leia pra você, não pra provar nada pra ninguém. Se você quiser ler Paulo Coelho, leia! Não fique todo cheio de dedos porque alguém te disse que é ruim ou vai te olhar torto por fazê-lo. Se quiser ler Crepúsculo também, que leia se for da sua vontade. Eu não gosto da obra, mas li até a página 50 pra dizer que não gosto e li três livros da Anne Rice já pra poder falar: quer ler livro de vampiro legal? Leia Anne Rice.

Na minha opinião – antes de mais nada – é que esse blog serve para dividirmos o que estamos lendo, assistindo, ouvindo pela básica necessidade humana de compartilhar. Mas nós três não somos especialistas em porra nenhuma (antes que você venha nos encher o saco). É quase um catálogo. Então aproveite bem, leia, seja feliz e compartilhe o que você está lendo, mas por favor, cuidado com o pedantismo.

E quer saber? Que se foda o Dostoiévski. Eu só vou lê-lo quando completar 40 anos. Acho que até lá – talvez – eu tenha maturidade suficiente pra entender um texto dele. Ou do Machado de Assis. Por enquanto, prefiro ler Jorge Amado escrevendo sobre um belo “pé de buceteiro”, obrigado.

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3 comentários em “Desabafo contra o pedantismo

  1. Ricardo
    13 de janeiro de 2012

    Mandou bem Caio, embora eu recém chegado aos quarenta, não sei se minha intelectualidade diminuiu (se é que existiu), ou se estou exigente demais, pois tenho achado quase tudo e principalmente os filmes, um monte de merda!! Alguns sou culpado por criar uma expectativa muito grande, assim é mais fácil a frustração.Achei interessante a posição da psicologa em relação aos livros bons, mas ultimamente tenho lido livros e visto filmes o mais rápido possível (principalmente filmes), que é para acabar logo!
    Por hora é pegar uma carona com Kerouac em “On the Road” , lendo “memória de um velho safado” Bukowski ao som de Johnny Cash. Por que esses?? Sei lá, achei uma ótima combinação.

  2. Chloé
    16 de janeiro de 2012

    Caralho, muito bom esse seu texto!
    É de longe seu melhor post, não tinha lido ainda!

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Publicado às 13 de janeiro de 2012 por em Cultura in(útil), Literatura e marcado , , .
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