MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Diário de um Cajiano – #1 dia Pt.2 Roberto Civita

O tipo italiano, de baixa estatura, careca, uma voz gravíssima e um sotaque bastante peculiar- ainda mais nas palavras de língua inglesa – entra no auditório e conversa com um pessoal também engravatado antes das pessoas se acomodarem.

Um segurança sempre de prontidão, na porta, passava quase despercebido, não era mal encarado nem carrancudo, fugindo do estereótipo.

Aliás, a ideia do senhor em frente à tribuna ser empresário da maior editora do hemisfério sul, era no mínimo interessante. Era divertido observá-lo, perceber o gestual lento, leve, o sorriso fácil, como a moldura dos óculos de vovô se encaixam no rosto… Será que ele é o tipo de chefe que bate na mesa e fala aos berros em algumas situações? Acho que não.

Um bom humor e um brilho infantis nos olhos que os homens só recuperam – algumas vezes – depois de certa idade, acho que depois dos 70. Seu rosto parece passar a mensagem, “não me impressiono com pouco, já vi muito, talvez demais”.

(E eu nunca vou esquecer o sotaque dele na hora de falar “internet”)

Tudo isso é impressão. O que eu fui achando daquele senhor ali, dando risada em frente à plateia que ainda se acomodava.

Roberto Civita pela talentosa caneta de Thales Molina http://thalesmolina.tumblr.com/post/16818026406

E eis que começa. Um vovô falando aos netos.

E então, a inteligência do Curso Abril do ponto de vista da empresa Abril.

“Vocês são renovação, oxigenação da editora Abril!”

A partir daqui eu tento postar o que eu mastiguei dessa única declaração…

Eu não sou nativo digital, meu sobrinho de dois anos e meio é, eu não. Eu sou da geração da televisão, TV Colosso, Glub Glub, Castelo Rá-tim-bum, Rá-tim-bum antes disso.

Eu sou da geração que pegou no computador de casa no final da infância e depois de brigar muito com os irmãos mais velhos pra poder ficar alguns minutos. Eu tive que virar muitas madrugadas durante as férias – escondido dos pais, óbvio – acessando a internet entre às 00h até às 06h para poder ‘ocupar’ a linha telefônica e pagar só um pulso durante toda a conexão. (Alguém mais passou por isso?)

Não fui o primeiro da minha classe a ter gravador de CD no computador, não fui o primeiro a ter tocador de MP3, não sou o primeiro a ter um Ipad nem um smartphone.

Eu to bem na fronteira entre o digital e o analógico e já prevejo jovens jornalistas daqui há uns 10 anos já me turrando a paciência quando eu for editor e tiver que me esforçar mais que eles pra entender as tecnologias de 2022.

Mas para entender essas novas tecnologias – e aí que está a beleza no raciocínio – eu vou precisar escutá-los, aprender com eles, trocar experiências.

Precisa existir um trato de igualdade no diálogo e uma via de mão dupla sem nenhum preconceito intergeração (Ok, eu não odeio – tanto – mais os adolescentes que gostam de Restart).

“Ah, mas isso aí é discurso corporativo, na prática não acontece, o negócio da Abril é revista e ponto final…”

Ok, eu entendo que exista resitência na hora de pensar coisas novas e é da fricção entre o novo e o velho que saem boas ideias. Mas ainda assim, existe  – e isso é importante – esforço para a mudança, pré disposição (mesmo que junto a resistência).

Bom, mas outras reflexões sobre esse encontro ficam para outro dia…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 1 de fevereiro de 2012 por em Diário de um Cajiano e marcado , , .
%d blogueiros gostam disto: