MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Fase nova, jornalista

Já há algum tempo não venho tendo tempo de postar aqui. Mais uma vez, as atribulações do dia-a-dia me absorvem.

Agora, essa belezinha está pegando minhas tardes (http://clubalfa.abril.com.br/) e durante a manhã ainda estou apurando – há muitas semanas – uma matéria.

Matéria difícil. Envolve uma morte, talvez um suicídio, mas que não tem nenhuma explicação. Os amigos, a esposa e a justiça simplesmente não querem falar. Meu editor está me cobrando uma resolução que ainda não existe e caso eu não consiga, pelo menos algo que clarifique ou dê algum – qualquer – motivo para que o personagem tenha tomado a decisão de tirar a própria vida.

Preciso entregar ainda nessa sexta um relatório com possíveis fontes na cidade desse entrevistado, que fica lá no Nordeste. Semana que vem tenho que viajar pra lá – claro, sem esquecer que ainda tenho minhas atribuições diárias no trabalho – e tentar conseguir qualquer informação que justifique minha ida pra lá.

Além disso, vou fazendo o texto no avião, na volta pra entregá-lo o quanto antes.

Aí fico pensando. Por que diabos jornalista muitas vezes é visto como o próprio diabo? Da mesma maneira que um técnico em eletrônica pode desenvolver um circuito de um desfibrilador, ele também pode produzir circuitos para criar bombas. Um jornalista pode fazer a mesma coisa, pode escrever algo construtivo ou não.

Isso depende muito do que você lê. O leitor procura algo construtivo ou não?

De qualquer maneira, existem bons e maus jornalistas e bons e maus assessores de imprensa, e bons e maus advogados, e bons e maus médicos e enfermeiros.

Ainda assim, existe uma ideia coletiva de que é tudo pela notícia e nossa missão é passar por cima de tudo e de todos para conseguir um furo. Em tempos de internet, eu defendo que furo jornalístico precisa passar por uma revisão dentro da comunidade jornalística.

Isso sem contar o interesse das pessoas em aparecer numa revista, no jornal ou aonde quer que seja e a gente precisa ficar separando joio do trigo para que a informação seja relevante para o leitor. Pergunto, de novo, o que você gosta de ler?

É, ser jornalista não é fácil. Aliás, como diz um colega do trabalho, “não tá fácil pra ninguém”.

Depois eu continuo esse raciocínio. Mais uma vez, preciso correr.

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Publicado às 25 de abril de 2012 por em Textos e ensaios... e marcado , , , , , , .
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