MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Engraçado como as coisas andam…

Engraçado como as coisas andam… realmente, muito engraçado.

Há apenas dois meses eu estava lá no mezanino do prédio do NEA, na editora Abril. Ficava ouvindo os caras mais ferrados da minha profissão, os que chegaram primeiro e marcaram seus nomes em páginas de incontáveis revistas e jornais, andaram lado a lado, contestaram os nossos líderes, ficaram a frente de grandes acontecimentos, sentaram em suas cadeiras e tocaram as suas vidas. Hoje eu estou no 12° andar desse prédio – que não é o que eles usaram para fazer tudo isso. Até meados dos anos 1990, as redações ficavam no prédio da Marginal Tietê, hoje elas ficam na Marginal Pinheiros.

Quando você entra em um lugar que queria muito resta treinar e melhorar cada vez mais. No final das contas é tudo o que você pode fazer, o resto fica por conta do acaso. O mesmo acaso que me fez viajar para Manaus, ficar cinco dias em um barco navegando o Rio Negro e conhecer, entre um uísque e um cigarro, o sobrinho de um escritor que você admira pra caramba e no meio de uma conversa de bar – ou quase isso – ouvir a frase, “tem uma vaga lá, me manda seu currículo”.

Dois meses depois você está lá, passando pelas catracas que impediam sua entrada antes, comendo no restaurante que você queria tanto – mesmo a comida em alguns dias perder para o pastel da feira da rua de cima.

Agora só resta escrever, escrever e escrever. Ler bastante também vale, pra melhorar o seu repertório e você escreve para organizar melhor os seus pensamentos e classificar todas as informações que caem nos seus olhos.  Da mesma forma que um mago soturno e deveras arrogante me disse uma vez, “escrever, escrever, escrever… dia e noite, o tempo todo, toda hora”. Estou escrevendo, textos pequenos e grandes, notinhas de um parágrafo e um livro. Espero conseguir terminá-lo antes dos meus 30 anos e com o dinheiro das suas vendas comprar a tão almejada Harley-Davidson e aí realizar mais um sonho de adolescência.

Essa noite foi mais uma brincadeira da insônia, horas a fio no escuro, a cabeça não quer parar de funcionar e o pensamento ganha uma velocidade incrível e você mistura lembranças e sonhos e tudo mais. É bom, muito bom tirar momentos assim para pensar na vida, por mais que no outro dia você fique com uma sensação débil e as coisas passam em sua volta sem que você se dê conta.

O sonho juvenil da banda ainda está lá, mas tudo o que você pode fazer é se entregar a uma paixão por vez, no meio de tantas. Problema das pessoas ansiosas que querem abraçar o mundo e ser tudo.

No final das contas, tudo o que nos resta é dar bom dia, boa tarde e boa noite para todas as pessoas que cruzam o seu caminho, pedir licença, por favor e dizer obrigado invariavelmente.

O resto, bem, o resto é escrever, escrever e escrever.

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Publicado às 3 de maio de 2012 por em Textos e ensaios... e marcado , , , .
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