MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Fortaleza, dia 1#

A dor de cabeça ainda estourava os miolos. Pelo menos o avião de Brasília a Fortaleza era mais novo e mais confortável que o de São Paulo para Brasília. Horas e horas de voo e uma preocupação, conseguir vasculhar o personagem da pauta. Queria ter uma, talvez duas semanas para ficar em Fortaleza refazendo os passos do personagem da sua história, procurar o resto da família, procurar a escola aonde estudou, aonde o pai dele trabalhava nos anos 1970 e 1980… Mas tudo isso é só vontade. O comandante da aeronave fala “em Fortaleza, 27°”. Isso, meia noite e meia, a madrugada não é diferente, para os lados de cá, está sempre quente. “Eu gosto disso”,penso.

Um senhor tentou furar a fila do Táxi no aeroporto. Eu fico feliz que consegui colocar todas as roupas e equipamentos em uma mala só, nada de despachar coisa nenhuma, ficar esperando na maldita esteirinha regurgitar meus pertences. Enfim, “esse táxi é meu, meu amigo”.

Eu sempre converso com taxistas, ainda mais quando estou viajando. Já ouvi um sem número de histórias interessantes. Dessa vez, me peguei falando o que vim fazer em Fortaleza. Estou pesquisando a vida de um homem que era bem sucedido na sua profissão, tinha família, esposa e duas filhas de 13 e 11 anos e ainda assim, inexplicavelmente, se matou. Como conseguir o depoimento das pessoas próximas a ele? Belo nó pra desfazer. Eu amo ser jornalista.

Eis que o motorista de táxi é um policial militar reformado e me indicou um belo caminho. “Olha, amanhã você vai até a delegacia de homicídios, procura inspetor tal e fala que pessoa tal te indicou. A gente é bem próximo, amanhã cedo eu ligo dizendo que você vai procurá-lo e conversa com ele, talvez ele possa te passar alguma informação sobre o caso”.

Eu fiquei com um misto de incredulidade – que só vai passar quando eu confirmar que a tal indicação deu certo e eu conseguir as informações que quero – felicidade e interrogação, “e se o cara tivesse conseguido furar a fila do táxi no aeroporto?”

Entrei no quarto do hotel quase uma e mai da manhã. Ainda assim, acordei às seis e curti a primeira luz do dia, do quarto do hotel. Logo vou até a delegacia, tomara que consiga alguma coisa.

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Publicado às 7 de maio de 2012 por em Diário de um Cajiano, Itinerante e marcado , , , , , , .
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