MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Texto, texto, texto…

Normalmente eu não paro pra escrever. Vou mastigando cada uma das informações que eu tenho – quando é uma matéria – ou maturando as ideias longamente – quando é ficção. Quando já está tudo ali, eu pego e descarrego tudo nessas teclinhas pretas do meu notebook e na tela branca do computador.

Não sei, só sei que é assim. Depois que tá tudo ali, atirado, eu preciso de um tempo pra ler tudo, de cabo a rabo e ir tirando cada farpinha, cada errinho idiota de português, vírgula descaminhada e as palavras mais viciosas do caminho. É quase como quando eu fazia mecânica e depois de tornear uma peça de aço, precisava pegar a lima e ir melhorando a superfície, lixando e lixando.

Nos blogs não, não tenho saco, despejo tudo e meto a mão no botão “publicar”. Depois é que eu vou ler e consertando o que precisa. No trabalho sim, eu dou sempre uma revisadinha antes de soltar tudo.

Quando a situação é escrever uma matéria longa, eu quero que ela saia perfeita, digna de um ensaio de um Gay Talese. Prepotente da minha parte, não me amigo, exigente. Eu sei que estou bastante distante disso tudo. Porém, tenho consciência de que se eu não me cobrar pra procurar fazer o melhor, não saio do lugar.

E se cobrar pra fazer o melhor é chato, trabalhoso, moroso e revelador. Toma muito exercício de autoanálise, o que nem sempre é prazeroso. principalmente quando se tem tantas falhas, tantas vírgulas teimam em cair no lugar errado.

Bom, talvez as vírgulas até estejam melhores, mas ainda preciso encontrar as melhores palavras e construções pra passear com meu leitor.

Esse texto é puramente uma expressão desse exercício. Estou mastigando essa matéria que fui apurar em Fortaleza há exatamente uma semana. Com certeza foi a mais deliciosa – talvez por isso – a mais desafiadora. Ainda está sendo. E esse texto só saiu porque eu precisava respirar fundo, tomar um gole do delicioso licor de jenipapo que eu trouxe de lá,ler – pela 15ª vez – o texto e continuar limando, temperando… agora faltam só os detalhes. Vai a madrugada pra terminar isso.

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Publicado às 14 de maio de 2012 por em Itinerante, Textos e ensaios... e marcado , , , , .
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