MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Batman – The Dark Knight Rises: Os Sem Biblioteca já assistiu

Acabei de ver o novo filme do Batman no cinema. Minha primeira vez no IMAX. Valeu a pena. Segue a resenha que publiquei no Club Alfa.

Se você vai assistir ao Batman – The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Ressurge), meu primeiro conselho é que você assista os dois primeiros logo antes. Foi o que eu fiz. Você já deve ter lido que o terceiro filme da trilogia de Christopher Nolan, iniciada com Batman Begins (2005), fecha um ciclo, que muitas referências dele estão no terceiro etc. É isso mesmo. Elementos do segundo filme, The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas- 2008) também estão presentes. Com os dois frescos na sua cabeça, você vai aproveitar – talvez não melhor, mas ainda assim – de maneira diferente e mais completa o novo filme.

A escala de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é muito maior que a dos antecessores. Os conflitos, as viradas na história e os efeitos nas vidas dos cidadãos de Gotham são muito maiores. Em muitos momentos, cheguei a me perguntar se tudo não era grande demais e me incomodei, mas tudo fez sentido.

Lembrei do último diálogo de Batman Begins, com o então tenente Gordon e Batman, ao lado do Batsinal.

Batman – Gotham voltará ao normal.

Gordon – Vai? E a escalada?

Batman – Escalada?

Gordon – Começamos a carregar semiautomáticas, eles compram automáticas… começamos a usar kevlar, ele compram balas perfurantes…

Batman – E?

Gordon – E agora você está usando uma máscara e pulando de prédios… Veja esse cara, por exemplo… assalto a mão armada, homicídio duplo… também tem um gosto pela teatralidade, como você… (e Gordon mostra a carta do Coringa)

Os três filmes são uma escalada. Bane é aterrorizador pela simples expressão nos seus olhos – crédito para o ator Tom Hardy. A cena de luta entre os dois, que aparece nos trailers – a que ele carrega a máscara do heroi  – é fantástica. É a única cena de luta sem nenhuma trilha sonora ao fundo. Nolan deixa tudo muito cru e você sente o espírito de Batman quebrando a cada pancada. Todos os elementos que Batman aprende a usar no primeiro longa, a teatralidade, a escuridão, as parafernálias, a estratégia… Bane se mostra superior a tudo e quebra – muita coisa – inclusive a ideia que o Batman representa, do ninja super treinado que surra qualquer um. Aí se inicia a discussão do que é ter medo. E você fica com medo de Bane.

Selina Kyle (no trailer) – Você deveria ter tanto medo dele quanto eu tenho.

Antes disso, no início do filme, Batman é um mito em Gotham e, da mesma maneira que Bruce Wayne, está sumido há oito anos, desde a morte de Harvey Dent. As pessoas criam histórias, dizem que Wayne está recluso em sua mansão e que suas unhas têm 20 centímetros. Nunca mais visto, vira um personagem no imaginário das pessoas. Da mesma forma que os policiais mais novos não sabem o que é o Batman em uma perseguição policial. (Vale destacar que Christian Bale continua sendo a melhor encarnação de Wayne até hoje.)

Quando ele aparece pela primeira vez, você fica feliz como se nunca o tivesse visto antes. “Agora ele chegou e vai chutar alguns traseiros, porque ele é um cara ferrado”, você pensa. É exatamente isso que se quebra com os golpes de Bane.

Mas um filme de heroi é muito mais do que seus momentos mascarados e troca de sopapos. Ainda que toda identidade secreta traga dualidade para um personagem, os de Batman têm muitas camadas. Inclusive Alfred. Quando você vê a cara paternal de Michael Caine (que está melhor do que nunca) você se sente confortável. Porém, fica de coração partido quando o mordomo fala algumas verdades. Mais uma cena sem trilha sonora e aí você percebe que Nolan não precisou usar nenhum artifício do cinema como belos ângulos, efeitos de luz ou mesmo a trilha sonora do fantástico Hans Zimmer. Um diálogo entre os dois atores e o ingresso já vale aí.

O mesmo vale para o Comissário Gordon (muito bem na pele de Gary Oldman) que, apesar de aparentar cansaço e sinais de velhice, ainda consegue mostrar por que é um líder. E Lucius Fox, interpretado por Morgan Freeman que, com seu jeito peculiar, sua gravata borboleta e suas boas tiradas, colore a tela. Ainda assim, eles também quebram, cada um a sua maneira. Gordon muito mais, pelo peso da verdade (lembre-se do final do segundo filme).

Anne Hathaway está de parabéns. A atriz soube explorar Selina Kyle, não apenas como Mulher Gato, mas como uma ladra, sedutora e ambígua mulher. O interessante de Batman é que seus personagens normalmente são muito profundos; os problemas da grande metrópole os tornam corruptos e apáticos – e isso se observa tanto na Grande Depressão, citado no primeiro filme, quanto nos ataques terroristas do Coringa no segundo e nos de Bane nesse.

Gotham City está deixando todo mundo “à beira da loucura”, como diz o Coringa, ao final de “O Cavaleiro das Trevas”.

Coringa – Você não vai me matar por causa de algum senso ruim do que é o certo… e eu não vou mata-lo porque você é muito divertido. Nós vamos fazer isso pra sempre.

Batman – Você vai ficar em uma cela acolchoada pra sempre.

Coringa – Talvez nós possamos dividir uma. Vamos precisar,  por conta da taxa de habitantes dessa cidade que estão ficando loucos…

Batman – Essa cidade acaba de mostrar que está cheia de pessoas prontas para acreditar no bem.

Coringa- Até o espírito delas se quebrar completamente. Até eles verem o que eu fiz com o melhor entre eles. Até eles derem uma boa olhada no Harvey Dent de verdade, e todas as coisas heroicas que ele fez.

É costurando e complementando os elementos dos antecessores que  “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” amplia e fecha a trilogia. Com muito estilo, Nolan consegue ser ambíguo no desfecho, da mesma maneira que mostrou em Inception (A Origem – 2010). O peão parou ou não de rodar na última cena?

Ainda assim, mais uma vez, um cidadão comum mostra que com o espírito incorruptível é possível manter a esperança e a fé.  Joseph Gordon-Lewitt, interpretando o policial Blake, provou que está maduro e é um grande ator da sua geração e é um ótimo fiel escudeiro… do Comissário.

O que é idealismo? O que é a sociedade? O que é o imaginário coletivo? O que é ser rico ou pobre? O que é lutar por uma causa? O que é medo? O que é uma mulher gostosa em roupas de couro?

Batman – The Dark Knight Rises é um épico e os irmãos Christopher e Jonathan Nolan criaram a sua graphic novel com começo, meio e fim. Ele bebe na fonte dos quadrinhos, mas também reserva algumas características únicas ao filme e cria algo novo. Essa trilogia, lá em casa, não vai para a estante dos DVDs, vai ficar junto das HQs. Se você for catalogá-la na sua estante, coloque junto aos grandes clássicos do cinema.

Rise

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4 comentários em “Batman – The Dark Knight Rises: Os Sem Biblioteca já assistiu

  1. Natalia
    24 de julho de 2012

    Vem logo, sexta-feira! Tô evitando ler qualquer coisa sobre esse filme, mas seu texto me deixou com ainda mais vontade pra ver *-*

    • Caio Neumann
      24 de julho de 2012

      Eu to ansioso pra ver mais uma vez. E tá bem osso segurar os spoilers, viu =/

  2. Aleksander Reder
    24 de julho de 2012

    melhor resenha de filme que eu já li, parabéns cara. o/

  3. Pingback: Batman – The Dark Knight Rises | MIRANTE

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