MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Conferimos o ótimo “Ted”, de Seth MacFarlane

Os Sem Biblioteca foi conferir Ted, o primeiro filme de Seth MacFarlane, criador de Family Guy (Uma Família da Pesada). O filme estrou nos EUA em julho batendo recordes. Teve a maior abertura da história de uma comédia original com censura 18 anos no país, e abocanhou US$ 54,1 milhões, superando Se Beber, Não Case! e Sex and the City

MacFarlane é o mestre do humor ácido e abusa de piadas politicamente incorretas. Nos primeiros cinco minutos de Ted, por exemplo, um menino judeu é surrado por outras crianças cristãs por ser véspera de natal. O longa foi escrito, produzido, dirigido e estrelado por ele que, por meio de captura de movimentos, fez e dublou o ursinho viciado em maconha.

Separamos um vídeo mostrando como foi o processo de filmagem e atuação. Com ele é possível entender as dificuldades e o talento dos envolvidos nas cenas.

Mas o filme vai muito além das piadas maldosas, ele mostra como John Bennet (Mark Wahlberg) precisa amadurecer e se tornar um adulto. Ele é noivo de Lori (Mila Kunis), tem 35 anos e é um irresponsável. O problema é que Ted, que é seu único amigo desde os oito anos de idade, é uma baita má influência e o faz perder a hora e faltar no trabalho, fumar maconha toda hora, participar de festas malucas entre outras coisas. Além disso, os momentos dramáticos – que estão presentes em quase todas as comédias – são muito bem escritos e envolvem o espectador.

MacFarlane também não perdoa as celebridades estadunidenses e até a cantora Norah Jones entra na roda (veja o vídeo acima). Isso pode atrapalhar o público brasileiro, que não está familiarizado com todas as referências culturais do público de lá. Mas isso não vai fazer você perder o prazer de ver o filme. Outra piada – presente também no trailer – é sobre os nomes de garotas “White trash”, que a empresa que legendou o filme infelizmente colocou como “periguete”. Não tem nada a ver. White trash nos EUA é como são chamados os brancos pobres – normalmente dos estados do sul – e de origem rural e são ridicularizados pelos cidadãos das metrópoles. (Parece familiar, ou não? Nós do Sudeste maravilha não tiramos sarro dos nordestinos? Mesmo grande parte da gente sendo descendente?) De qualquer forma, faz pensar, se fosse um filme brasileiro, a patrulha do politicamente correto iria encher o saco.

Hoje, MacFarlane é o roteirista mais bem pago dos EUA e de acordo com a revista Enterntainment Weekly é a celebridade mais inteligente da TV americana.

Seth MacFarlane

De acordo com Wahlberg, ele conhece o trabalho de MacFarlane em Family Guy, mas Ted, “é o Seth com esteróides”.

Patrulha dos “bons costumes” e do “politicamente correto” (leia-se chatice) tem em qualquer lugar, Family Guy sofre inúmeros ataques do Parents Television Council (Conselho de Pais da Televisão) que condena a indecência do seriado.  A Federal Communications Comission, órgão regulador da área de telecomunicações e radiodifusão dos Estados Unidos, também recebeu inúmeras petições pedindo para o desenho sair do ar por conta de seu conteúdo racista e antirreligioso. Por conta disso, vários patrocinadores chegaram a retirar seus anúncios do horário de exibição do seriado, que por duas vezes foi cancelado.

Stewie Griffin, o bebê mais fofo dos desenhos animados

Não adiantou muita coisa, a pressão dos espectadores e a alta venda das temporadas em DVD, fez a Fox voltar atrás. Em 2008, depois de aproximadamente dois anos de negociação, o canal e MacFarlane chegaram a um acordo de U$ 100 milhões para ele manter seu trabalho na emissora até 2012. Hoje, Uma Família da Pesada está na 11ª temporada e os direitos da série custam US$ 1 bilhão. No Brasil, o desenho é transmitido pelo canal por assinatura FX.

Negros, judeus, caipiras, deficientes físicos, pedófilos, gays, mulheres e religião, nada escapa das sátiras escritas e dubladas por ele. Agora é ver o filme que estreia hoje aqui no Brasil e dar (muita) risada.

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Publicado às 21 de setembro de 2012 por em Cinema, Cultura in(útil) e marcado , .
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