MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Great Expectations, um espetacular livro de Dickens volta ao cinema

Se imagine na Inglaterra, no interior, em uma mansão. O século está quase virando e 1800 se aproxima. Nessa bela casa, vai acontecer uma festa de casamento, aristocrata, luxuosa, um sonho. Às 20h40, a bela Miss Havisham – noiva e dona da casa – recebe uma carta. Ela enlouquece. O noivo não vai mais aparecer. Ela manda fechar quase todas as janelas, para todos os relógios da casa e decide nunca mais ver a luz do dia. Ela vive como tudo estava no momento em que recebeu a carta, o bolo de casamento fica no salão anos e anos, as roupas, o sapato que ela ainda não tinha calçado e estava em uma mesa a sua frente… tudo congela.

Só que não.

Apesar de ela ser a personagem que mais me fascina no livro Great Expectations (Grandes Esperanças), do Charles Dickens, ela não é a principal, nem a coadjuvante maior. Esse é o primeiro livro do Dickens que estou lendo, mas pelas críticas que li, todos os seus personagens são fascinantes e complexos, cativantes e sedutores – à sua maneira.

Charles John Huffam Dickens (Portsmouth, 7 de Fevereiro de 1812 — 9 de Junho de 1870)

Dickens foi um gênio. Aos 21 anos já era um escritor famoso na Inglaterra. Aos nove anos de idade, seu pai contraiu uma dívida e toda a família foi presa – menos ele – que teve de trabalhar, colando rótulos em uma fábrica de graxa. Seus romances são considerados muito realistas e ele contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.

Mas voltando um pouco…

A primeira vez que tive contato com essa história, foi assistindo a uma adaptação contemporânea de 1998, com Ethan Hawk, Gwyneth Paltrow, Anne Bancroft e Robert De Niro.

Ah, como eu me apaixonei. Tinha 11 anos quando assisti ao filme e foi um dos poucos que conseguiu me deixar sem fôlego. Não me apaixonei pela Gwyneth Paltrow, que faz o papel de Estela, mas sim pela história, pela mansão de Nora Dinsmoor (nessa adaptação mudaram o nome da Miss Havisham)… enfim, o filme é muito bom.

*Melhor ainda é o livro (me desculpem pelo clichê)

Mas é a mais pura verdade. Olha a sinopse.

Na véspera de Natal, por volta de 1812, Pip, um órfão de aproximadamente seis anos de idade, encontra um fugitivo no cemitério da aldeia, enquanto visitava o túmulo de seus pais e irmãos. O condenado assusta Pip e o convence a roubar comida para ele, e uma ferramenta do marido de sua irmã para serrar seus grilhões. A única irmã que Pip tem, o cria e é casado com o ferreiro da aldeia. Ela é má o maltrata sempre que pode (tanto ele quanto o marido). Ele leva comida e a ferramenta para o prisioneiro, mas no dia seguinte, ele é recapturado.
Miss Havisham, pede um menino para brincar com a sua filha adotiva, Estella. Pip começa a visitar Miss Havisham e Estella, por quem ele se apaixona, com o incentivo de Miss Havisham.

Depois de um tempo, Pip para de visitar Miss Havisham e Estella vai para o exterior para ser educada como uma dama. Ainda mais tarde, como um jovem aprendiz de ferreiro, Pip é abordado por um advogado, o Sr. Jaggers, que diz que ele deve ir à Londres e que um benfeitor vai transformá-lo em um cavalheiro. Pip acredita que essa pessoa misteriosa é a Miss Havisham…

Em Londres ele se reencontra com o seu tormento, Estella e vai descobrir que a sua boa fortuna e toda a sua vida fazem parte de um grande mistério…

Eu vou parar por aqui. E tudo isso você já deve pegar no trailer da mais nova adaptação (É a 16ª!), dirigida por Mike Newell (Harry Potter e o cálice de fogo) com Helena Bonham CarterRalph Fiennes (Voldemort), Robbie Coltrane (Hagrid), Jeremy Irvine e a belíssima Holliday Grainger (que ficou um espetáculo ruiva).

(O filme já foi exibido em alguns festivais e estreia 20 de novembro na Alemanha e Reino Unido – ainda não tem data para estrear no Brasil). Agora vem algum fdp me falar de pirataria e download de torrent e por aí vai ¬¬

Um dos comentários desse trailer no Youtube reclama que o vídeo entrega quase toda a história. Meu amigo, esse livro foi escrito há mais de 150 anos. A história é pretty much conhecida. Ela foi publicada pela primeira vez na revista All the Year Round, da qual ele era o criador (sim, o cara era jornalista também). Great Expectations foi sendo publicada desde 1° de dezembro de 1860 até agosto de 1861.

PORÉM. PORÉÉÉÉÉÉM, Dickens escreveu dois finais para o livro. Aí é que tá! Qual vão usar no filme, não sei.

Mas eu estou devorando o livro como um louco e em seis dias passei da página 278! Faz tempo – acho que desde Jorge Amado – que isso não acontecia.

Separei alguns trechos

“Deus sabe que nunca precisamos  ter vergonha de nossas lágrimas, pois elas são a chuva sobre a poeira ofuscante da terra, que cobre nossos corações duros. ”

“A verdade incondicional é, que quando eu amei Estella com o amor de um homem, eu a amava, simplesmente porque eu a achava irresistível. Uma vez por todas, eu sabia – para a minha tristeza – muitas vezes, e muitas vezes, se não sempre, que eu a amava contra a razão, contra a promessa, contra a paz, contra a esperança, contra a felicidade, contra todo o desânimo que poderia ser. Uma vez por todas; eu ainda a amo porque eu sabia, e isso não me influenciava a segurar-me, mesmo que eu acreditasse devotamente que ela fosse a perfeição humana.”

“Fora dos meus pensamentos! Você faz parte da minha existência, parte de mim. Você esteve em cada linha que eu li. Eu cheguei aqui como o menino tosco cujo o pobre coração você feria. Você esteve em cada uma de minhas visões – no rio, nas velas dos barcos, nos pântanos, nas nuves, na luz e na escuridão, no vento, nos bosques, no mar, nas ruas. Você tem sido a incorporação de cada fantasia graciosa que a minha mente foi capaz de fazer. As pedras nas quais os prédios mais fortes de Londres foram feitos não são mais reais ou impossíveis de se mover com as suas mãos do que a sua presença e influência sobre mim, lá e em todos os lugares – pra sempre. Estella, até a última hora da minha vida, você não pode escolher, mas continua parte do meu caráter, parte do pouco que há de bom em mim e o que há de mal. Mas nessa separação, eu consigo associá-la apenas com o bem, e eu vou te ter fielmente para sempre, pois você me fez mais bem do que mal, deixe-me sofrer o que tiver que sofrer. Ó Deus te abençõe! Deus te perdoe!

Leitura recomendadíssima!

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