MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

KISS no Brasil: o que você pode aprender com isso?

paul stanley

Com um pé na terceira idade, os integrantes do KISS mostram que envelhecer bem ou mal é questão de escolha

*Por Caio Neumann e Mariana Lins

Que os estadunidenses do KISS estiveram em turnê pelo Brasil, você já sabe. O show é parte da turnê de divulgação do mais novo álbum, “Monster”, e passou pelo Rio de Janeiro, por São Paulo e Porto Alegre. Lançado em outubro deste ano, o 24° álbum da banda não traz nada muito novo. É um típico álbum do KISS com guitarras, baixo, bateria e vocais bem pra cima e assinalados. Ainda assim, dentro da discografia da banda que completa 40 anos em 2013, ser comum não significa ser ruim.

Os Sem Biblioteca foram conferir a apresentação em São Paulo no mês passado e contam não apenas como foi – mas também o que você pode aprender com os tiozões que não perderam a mão na hora de fazer um belo show de rock and roll.

Aposte naquilo que gosta de fazer

Se há um detalhe peculiar em um show do KISS, ele é o clima. Os efeitos pirotécnicos, as maquiagens e as roupas teatrais, já clássicas nas apresentações da banda, contribuem para a atmosfera da noite, é claro. Mas a energia dos integrantes do KISS no palco não deixa dúvidas: eles gostam de estar ali. No início da apresentação, Paul Stanley, que já completou 60 anos de idade, provoca: “São Paulo, vocês querem uma festa rock and roll hoje à noite?”. E, sob os gritos da platéia, emenda um riff de guitarra de “Shout it out loud”, do disco Destroyer (1976). Mas acredite: até mesmo a vida de um rockstar pode se tornar chata se não existir paixão. (O que não é o caso deles.)

Aprenda coisas novas

Você pode ser um ótimo baterista, mas dificilmente conseguiria um emprego no KISS se também não soubesse cantar razoavelmente bem. O atual baterista, Eric Singer, tem 54 anos e já gravou com The Cult, Black Sabbath e Alice Cooper. Também já tinha sido membro do KISS nos anos 1980. Além de aguentar o show inteiro num ritmo frenético, Singer tem um solo de bateria – com direito à plataforma soltando fumaça e se erguendo a mais de três metros do palco – faz backing vocal e canta músicas como Black Diamond, música do primeiro álbum (homônimo) da banda, de 1974. A moral da história? Não faça apenas aquilo que já é esperado de você.

Valorize o trabalho em grupo

O KISS seria uma banda com a clássica formação rock n’ roll (bateria, guitarra base, contrabaixo, guitarra solo e vocalista) não fosse um pequeno detalhe: todos os membros cantam e compõem para os álbuns. Paul Stanley e Gene Simmons – o mais velho, com 63 anos – são os únicos integrantes da formação original e até podem ser os líderes da banda. Mas, definitivamente, o show não é só deles. Tommy Thayer, de 52 anos pula, dança e canta “Outta this world”, além de fazer backing vocal em todas as canções, tem solo de guitarra com direito a fogos de artifício saindo do instrumento e plataforma o erguendo do palco. E é essa valorização dos talentos individuais que contribui para a banda como coletivo.

Mantenha seus horizontes abertos…

A música não é a única coisa que enche as contas bancárias do KISS. A banda é um caso de estudo para os estudiosos do marketing. Nos anos 1970 e 1980, os produtos licenciados com a marca da banda iam de lancheiras escolares até camisinhas. Claro, essa posição da banda tem tantos críticos quanto entusiastas. Mas o KISS tem o mérito de conseguir com sucesso transcender a mera experiência musical de uma banda.

… e não tenha medo de arriscar

Mesmo com a sonoridade própria, eles aprenderam, ao longo da carreira, a agradar os diferentes grupos de fãs. No final dos anos 1970, a banda se rendeu à onda disco e os álbuns “Dynasty” e “Unmasked” trouxeram um som mais dançante e diferente do que os fãs estavam acostumados. Não, isso não agradou a todos – mas o fato é que “I was made for loving you”, hit desta safra, ainda empolga a plateia nos shows e dificilmente fica fora de um setlist.

Cuide bem da sua saúde

Claro que desavenças pessoais e com os rumos musicais da banda contribuíram, mas os problemas com drogas e álcool também foram fatores decisivos para que Ace Frehley e Peter Criss, guitarrista e baterista originais do KISS, deixassem a banda. Mas pense bem: aos 60 anos você jamais conseguiria subir em sapatos plataforma, rebolar, cantar por quase duas horas, se pendurar em cabos de aço, andar de tirolesa por cima da plateia e ouvir gritinhos descontrolados de mulheres sem cuidar minimamente da sua saúde. (É sério: ainda há na plateia mulheres com 20 e poucos anos que seguram cartazes que dizem “Paul, lick me up”)

E, finalmente (mas não menos importante): saiba usar a língua

Você não precisa ter uma língua como a de Gene Simmons… Mas, com certeza, não perderá nada se souber bem como usar a sua.

gene-simmons

*Texto publicado no Club Alfa

Leia tambémVocê conhece o KISS (mesmo?)

Anúncios

Um comentário em “KISS no Brasil: o que você pode aprender com isso?

  1. Thaís de Godoy
    7 de dezembro de 2012

    Reblogged this on Poética de Botequim.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 7 de dezembro de 2012 por em Música e marcado , , , , , .
%d blogueiros gostam disto: