MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Tempestade

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Duas pessoas caminhavam há muito tempo, no escuro, no meio de uma forte tempestade. Até que uma delas afrouxou a mão da outra. O vento era cada vez mais forte e ela arranhou, machucando a mão de quem tentava segurá-la.

– O que aconteceu? Você cansou?

– Não sei, acho que sim. Não sei se tenho mais fôlego ou forças pra continuar.

– Você quer que eu te espere?

– Não sei.

– Quer ir por outro caminho?

– Não sei?

– O que você quer então?

– Não quero que você continue nessa chuva pesada, levando no peito essas fortes rajadas de vento.

– Então nós devemos seguir em frente, já andamos juntos até aqui. Mesmo cansados, uma hora a gente acha um lugar bom, um abrigo e descansa. Um vigia o outro enquanto ele dorme. Fizemos isso até aqui, de um abrigo a outro, de um descanso a outro. Já vimos o céu abrir várias vezes.

– Não sei.

– É melhor se decidir, porque logo os meus minutos e os seus vão nos alcançar e deixar de ser nossos. Eles vão nos empurrar pela noite e pela tempestade e a gente pode se perder um do outro. E por mais que um dia a gente se reencontre, vamos ter acumulado minutos demais. Eles vão cobrir as nossas peles e vão deixar marcas e a gente pode não se reconhecer. Talvez a gente tente dividi-los um com o outro, mas eles não serão mais nossos, nunca mais.

Depois disso, apenas o barulho das gotas de chuva, das rajadas de vento e os trovões eram audíveis, altos e supremos, soberanos em todo o ambiente. Até que eles começaram a ouvir os minutos se aproximando, cavalgando os segundos, esses pequenos filhos do tempo vinham ticando forte na tempestade e se preparavam capturá-los, é isso o que eles fazem, arrastam os viajantes pela terra, levando cada um para um lado, incontroláveis na sua cede de aumentar em número, implacáveis eles alcançam todos só nos resta decidir de quem eles são, seus, meus, nossos, deles e então um dos viajantes perguntou.

– Você quer ou não quer mais viajar comigo?

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Informação

Publicado em 14 de março de 2013 por em Contos.
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