MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Velhice

velho

Esse post não vai ser agradável de ler. Não está sendo agradável escrevê-lo. Mas são coisas que precisam encontrar algum espaço fora de mim. 

Ultimamente venho pensando muito na velhice… e na morte. Na morte menos que na velhice. Explico. Comecei a reparar no envelhecimento das pessoas. Como cada linha cuidadosamente desenhada pelo Sol e gravidade se acentua na pele, conforme o corpo vai envelhecendo.

A vida é feita de ciclos e blá, blá, blá… Ok, já entendi isso. Por mais que eu tenha entendido, não consigo parar de pensar no fato de que nosso coração bate. Contração e relaxamento. Nos movimentamos por conta disso, contração e relaxamento dos nossos músculos, nossa respiração. Música é assim, uma nota musical tensiona e depois outra precisa relaxar, caso contrário a música parece ficar incompleta.

Com a gente também é assim. Eu olho para os meus sobrinhos, um com dois meses e o outro com três anos.  Eles dormem bastante, dormem pra caramba. Enquanto eles dormem as células dos corpinhos deles vibram, se multiplicam, nascem e morrem freneticamente, e eles crescem. Se eu fico 15 dias sem vê-los, já noto diferença. Olhar a foto do ano passado e comparar com uma dessa semana quase assusta.

Vê-los brincar no mesmo quintal em que eu e meus irmãos brincamos – não há muito tempo – assusta. Perceber que cheguei aos 25 mostra o quanto já passou, mas ser tratado como criança pelos quarentões e cinquentões – algo bastante recorrente na vida de um jovem jornalista – nos coloca em algum lugar em que faz esquecer que o tempo passou muito.

Ao mesmo tempo, olho para os meus avós. Talvez minha avó esteja com Alzheimer. Há seis meses ela ainda conseguia manter um ritmo bom no dia-a-dia. Hoje, do nada, simplesmente sem aviso, ela está confusa, depressiva, se entregando aos poucos… e problemas de saúde não param de aparecer. Agora está numa rotina frenética de médico em médico.

Envelhecer é uma arte, não são todos que conseguem com êxito. Uma outra pessoa, de nossa relação, muito querida, está quase com a idade da minha avó e se deprime toda vez que pensa que está ficando velha e que a vida vai acabando.

Morte é fatal e se perde muito tempo pensando e temendo ela. Ou tempo nenhum. Acho que o interessante é lembrar de vez em quando que ela está lá, nos esperando, amanhã ou daqui há muitos anos. O que vale a pena é se apegar ao clichê e lembrar que deve se viver, aproveitar ao máximo, cada dia.

Eu sempre ansiei pelas marcas de expressão do meu rosto, pelos meus cabelos ficarem grisalhos e eu ser mais experiente, bem resolvido na vida e confortável. Mas hoje, penso – um pouco – diferente. Mesmo quando a pressa paulistana, frenética, me impõe seu ritmo, paro um pouco pra ver o quanto da volta estou aproveitando.

Posso pagar com a minha língua, mas espero ser um velho daqueles engraçados, quase como meu avô, que racha de rir com qualquer piada, com qualquer frase.

No final das contas, acho que tudo precisa ser benvindo. Algumas coisas devem ser levadas a sério, outras não, nós mesmos, por exemplo.

Mas no final das contas, tanto faz…

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2 comentários em “Velhice

  1. Maitê Guadalupe
    26 de março de 2013

    É, meu amigo, estamos num gap complicado. Novos demais para sermos levados à sério pela turma da velha guarda e velhos demais para sermos considerados boa coisa pela criançada….uhauhauhauh triste vida a dos 25 anos.

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Publicado em 25 de março de 2013 por em Textos e ensaios....
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