MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Duas rodas e o direito de seguir em frente

O vento bate no peito enquanto grita pra dentro do capacete, por todas as frestas. Tudo o que lhe resta é deixar as coisas pra trás. Nenhuma bagagem ou mochila nas costas.

Não. O barulho repetitivo dos pistões funcionam como um mantra, a repetição deixa o cérebro em torpor. Tudo o que você pensa em fazer é acelerar.

Não precisa fazer mais. Nenhuma resposta é necessária.

Harley-Davidson
O rosto está limpo, leve e com um leve sorriso
Bombas e guernicas são desnecessárias
Afinal, nunca antes foi possível enxergar com tanta clareza.
Sem amputações e sem raiva do lado de cá.
A vida segue.
Não me escondo desse ou daquele parabrisas ou motorista que me fita
E não, não vou abafar o ronco do meu motor
Tão pouco as alegrias que a vida me reserva virando essa ou aquela esquina.
Se incomoda, levante seu vidro, siga o teu caminho
Não é simulação do que foi, é evolução
Porque afinal, tentei tirar lições de cada queda ou perda de equilíbrio
Faço agora o que não fiz antes
Porque dá mais gosto fazer
Porque não há lugar no sofá de mágoas e questões mal resolvidas com pais e pedras
Não se esvazie. Termine o que tem que terminar,
resolva o que tem que resolver
e caia na estrada. Mais uma vez.

Grite e escreva o quanto quiser
O vento leva o som e as letras
E os pistões levam pra longe
Bote fogo no céu da noite
Poemas pelo caminho, ruins e tortos?
Uma hora sai a reta e você deslancha.
E logo você será capaz – se já não for

A vitrola nova toca o disco
Enquanto eu sujo as mãos de graxa
Pra limpar a alma
Os retrovisores não mostram nada
Nem um par de luzes
Se você está sozinho na estrada.

A vida está dando certo.
Obrigado.
Quem diria que um par de olhos verdes
E um guarda-chuva amarelo
Iam surgir tão logo?

Dignidade é seguir em frente
Com a alma limpa
Leve como o vento,
Agregando a bagagem e aumentando o repertório musical

Meu antídoto são as lágrimas
Que surgiram quando o vento bateu nos meus olhos.
Muito antes disso.
Pra me fazer lembrar, aceitar, estar de bem
com o “de onde eu vim” – e o que aconteceu?

Não há culpa, por isso, sem necessidade de perdão.
Essas duas rodas de tempo
Me tocam pra frente
Se eu erro, é tentando acertar.

agora sim
posso sossegar em paz
na barulheira do vento e do meu peito – sempre inquietos
Muitos quilômetros buscando a linha do horizonte

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Informação

Publicado às 23 de agosto de 2013 por em Caderninho, Diário de um Hóspede, Textos e ensaios... e marcado .
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