MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

Ahoy!

Inquietação.

Trecho de uma carta escrita por um velho, amigo meu.

navio pirata10

É tão difícil conviver com a gente às vezes.

Mais rápido, maior, melhor, mais bonito, mais competente, mais…

“Você se cobra demais”, é uma frase que escuto de forma recorrente. Porém, não consigo ser diferente. Não dá pra controlar um coração tão feroz quanto o meu. 

Não roo as unhas, mas a perna fica chacoalhando, inquieta, o tempo inteiro. 

É complicado enfrentar essa inquietação e urgência em melhorar o tempo todo.

Ah, a caduquice maluca dos que sentem o mundo. 

Entender as pessoas é algo complicado. Experimentar empatia é um problema algumas vezes. Como um vampiro de emoções e memórias, pra entender as pessoas, recria as situações na tua cabeça e tenta deduzir todas as emoções pelas quais ela passou pela vida.

Isso é empatia, é assim que você cria personagens e personas na tua cabeça, constrói sua visão de mundo, como enxerga cada uma das pessoas com quem tem contato. Mas quando isso passa acontecer com centenas, perde a mão e vai absorvendo tudo. 

O raciocínio voa, mil quilômetros por hora. Até que encontra alguém que realmente atrai o seu interesse, então você vai mais fundo, cada vez mais fundo. 

Aí tua cabeça bagunça com as suas emoções e você precisa conseguir represar todo um oceano de mil coisas que sua cabeça lhe atira no peito. Milhões e milhões de tubarões nessas águas, e você precisa amansar cada um deles.

Não, meu amigo, viver não é nada fácil. Viver consigo mesmo e tentar se entender, demanda ainda mais energia. 

Ah, quanta inveja os fios brancos de minha barba tem das pessoas passivas que encontram conforto fácil.

Mas não eu, precisava ir pro mar, o horizonte me chama e a cada desafio que os céus ou as águas me impõem, eu precisava enfrentar. Muitas vezes, navegava em direção à tormenta, debaixo de nuvens negras de tempestade, evocadas por mim mesmo. Pela simples necessidade de enfrentá-las todas. 

Muitas vezes naufraguei, me desesperei e me arrependi de chamar o problema aos meus pés. O jeito era me pegar a qualquer pedaço de pau flutuante e tentar nadar para algum lugar. Dias e dias à deriva te ensinam muito. 

A principal lição é que somos simples e minúsculos navegadores sobre um oceano vasto demais. É necessário compreender a sua própria pequenez pra respeitar o oceano e os outros marinheiros. 

Ah, vontade de gritar, pegar tudo pelas mãos e espatifar todos os deuses que regem o tempo e a ordem dos acontecimentos! Vontade de quebrar tudo! Se revoltar!

Mais uma vez, tolice de um coração novo, estúpido e orgulhoso por demais. Mas o tempo vem. Ele sempre vem e ele te envelhece, te cansa, te adestra, te bate. Muitas e muitas surras. E ele usa o seu próprio coração e seus próprios erros pra você entender o quão pequeno é.

Meu conselho pra você, amigo que lê essas letras cansadas e tortas, deixe estar, deixe o vento inflar as tuas velas e a correnteza te levar, aproveite o Sol, aproveite a paisagem, a jornada.

Mas eu sei que minhas letras baterão numa pedra forte e dura que é a tua cabeça e a tua inquietação continuará. Oras, não sou, nem nunca fui nenhum mestre. O verdadeiro mestre, como eu disse, é o tempo.

Enfrente suas tempestades, entre de cabeça, seja vítima dessa sua inquietação, que você vai continuar indo em frente, sempre. Conheço sua fibra, reconheço sua resiliência. Mas me entristeço pelas dores que ainda terás de sentir pra compreender o que só um coração velho, vira-latas e malhado consegue.

Boa jornada.  

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Informação

Publicado em 9 de setembro de 2013 por em Caderninho, Textos e ensaios....
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