MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

1# – 100 dias escrevendo (Olhares)

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O desafio está posto.

Cansado da rotina incessante de trabalho-casa-trabalho, o jovem não-tão-jovem que vem neste blog de vez em quando está lançando um desafio a si mesmo, a fim de não perder o fio da navalha ferramenta que é o seu texto. Durante 100 dias ele vai ter que escrever aqui. Ininterruptamente.

Qualquer coisa do cotidiano, qualquer olhar perdido nessa cidade, qualquer anedota notada na tela do computador ou da televisão, não importa, tanto faz quem lerá ou não.  Tanto quanto é indiferente a reação de quem o faça.


Olhares

O casal oriental se abraça em uma esquina da rua Teodoro Sampaio, em São Paulo. Ele, com uma calça de tactel, meio folgada e uma camiseta branca sob o sol invernal. Ela, uma blusinha branca, sapato/sandalha vermelho, desses que as intelectualóides bicho-grilo que frequentam o campus da USP e o baixo Augusta usam, uma calça jeans simples e um óculos um tanto quanto démodé. Os cabelos, não tão lisos assim e um pouco mal cuidados presos de jeito simples.

Eles se abraçam em despedida e ele rouba um beijo inesperado. Não é o tipo de beijo de quem está flertando, mas sim o beijo que não era esperado chegar devido ao esfriamento do relacionamento adornado por pessoas frias e que não sabem manter o ritmo a dois… desajeitados.

Ele sai andando pra um lado enquanto ela espera o farol abrir e então lá veio o momentum digno de nota. O olhar que ela lançou a ele. Por cima dos óculos, os olhos puxados e enigmáticos  jorraram lascividade.  Pequenos, naturalmente, cerrados. Nesse instante você pode dizer que com um olhar bem dirigido uma pessoa que não é bela – nos padrões – traz um quê de beleza muito mais impactante que aquela modelo de cara de cera e olhar vago. Ou aquela patricinha da faculdade, de saltos altíssimos, saia curtíssima, mas a cara vazia.

O rapaz nem percebeu o olhar que o cobria de cima a baixo.

E nenhum dos dois percebeu que eu observava sob meus óculos escuros.

Continuei andando….

 

 

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Publicado às 25 de junho de 2014 por em Textos e ensaios... e marcado , , , , , , .
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