MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

3# – 100 DIAS ESCREVENDO (HOW WINNING IS DONE!)

 

O ringue branco sob as luzes do salão deixa tudo claro demais. O suor escorre por todo o corpo, da testa desce até os olhos e faz arder. A bunda no chão não consegue se levantar. No corner ele sente o sangue se movimentando em cada pequena veia do rosto, vermelho, inchado, dolorido.

Ele se lembra do castigo que acaba de levar. Enquanto a guarda estava levantada – ou tentava ficar – ele perdia a conta dos golpes que levava. Um, dois, respira, três, quatro, respira. Tenta encaixar um soco. Bum. O som surdo da luva pesada do adversário assentando em cheio sua bochecha assusta.

A primeira vez que você leva um soco na cara, você fica incrédulo, ultrajado. Você sabe que faz parte do treino e ainda assim um ponto de exclamação é cuspido a força. Depois vem a calma. “Sobrevivi, manda outro, ainda to de pé”. Mas os outros logo vem.

Há dias e dias. Hoje ele não estava concentrado o suficiente. A rotina e o trabalho o deixaram aéreo durante a luta. A concentração escapava e toda hora ele precisava lembrar de respirar. E o segredo do boxe é esse. Respirar.

O protetor bucal machuca, incomoda e impede isso de acontecer direito. Ele amaldiçoa cada cigarro que já fumou na vida. A respiração entrecortada deixa a guarda baixa. E BUM! Um direto no olho.

A mão do oponente é pesada. Cada soco em resposta parecia bater em um paredão.

No final, um sentimento estranho. Quando você apanha, você precisa encarar a vergonha de frente. Seu orgulho se despedaça no chão e você precisa levantar e catar os cacos.

Ele não gosta de motivação barata. O oponente trocou, agora era seu irmão, que também frequenta a mesma academia. E mais uma vez, um soco no queixo faz suor voar pelo ringue.

Não há nada pra se fazer. Apenas voltar ao básico. Postura, guarda alta. Os socos continuam vindo, ainda mais pesados, mas a defesa melhora e o castigo fica mais brando. Respira. Os socos que vem na barriga precisam ser absorvidos, em cheio. Ele apenas foca na guarda alta e deixa eles virem.

Uma esquiva na hora certa. Ponto. Um soco encaixado. Outro no queixo.

Volta pra guarda. Os dois ficam se olhando entre luvas. “Vai, bate mais”, ele fala ao irmão, que solta um engraçado “o quê? É Rocky agora?”

Ele lembra disso tudo enquanto recupera o fôlego no final da aula.  A bunda na lona, os braços largados nas cordas. Quando o professor chega paternalmente e tira uma das luvas e afirma, “você tá melhor, a movimentação tá certinha”.

“Pra mim, eu só tomei uma surra”, ele responde e continua em pensamento “e aprendi muito mais apanhando do que se tivesse batido…”

 

Let me tell you something you already know. The world ain’t all sunshine and rainbows. It’s a very mean and nasty place, and I don’t care how tough you are, it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain’t about how hard you hit. It’s about how hard you can get hit and keep moving forward; how much you can take and keep moving forward. That’s how winning is done! Now, if you know what you’re worth, then go out and get what you’re worth. But you gotta be willing to take the hits, and not pointing fingers saying you ain’t where you wanna be because of him, or her, or anybody. Cowards do that and that ain’t you. You’re better than that!

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Publicado às 27 de junho de 2014 por em Crônicas, Cultura in(útil), Textos e ensaios... e marcado , , , , , .
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