MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

5# – 100 DIAS ESCREVENDO (Maria Joana)

 

Maria Joana é folgada pra caralho.

Ela mora há alguns quarteirões da casa dos pais. Caçula, tem um irmão mais velho. Ela trabalha com comunicação.  Mas ela é folgada pra caralho.

Sozinha há alguns anos, já passou dos 30 há muito tempo, mas ainda brinca de adolescente. Viciada em joguinhos que satisfazem seu ego por alguns pequenos instantes. Ela se usava dessas mini intrigas como um viciado em crack respira a droga e só sonha nela.

Maria Joana adorava ter seu ego acariciado. Se isso não ocorria espontaneamente, ela tentava de alguma forma provocar isso.

Para tanto ela não ligava sobre o cadáver de quem deveria passar.

Ela nunca era mandada embora nas demissões em massa da empresa,  sempre segura no saco dos chefes, usava o trabalho dos pares ou dos que estavam abaixo dela para se elevar. Todo dia ela se banhava no suor dos mais esforçados. Sabia o ponto certo de se enfiar nos seus poros e te violentar os créditos de um trabalho bem feito.

Mas ela era um elo fraco na corrente de trabalho e uma hora a equipe não se sustentava, então ela rompia e magicamente se recompunha, se mostrando um elo perfeito e apontando outro para a guilhotina.

Maria Joana, quando mais nova, se arranhava e falava para os pais que tinha sido o irmão, só pra dar risada quando ele levava a bronca.

Maria Joana é o alvo de maior ciúme da esposa do seu chefe/amigodeinfância/melhormiguxodomundo.

Ele é meio banana, mas é mais chefe que ela e a protege com unhas e dentes. De vez em quando briga com ela. Mas entre suas intrigas e fuxicos, ele a acaba perdoando.

É uma baita bagunça. Ela chega no escritório a hora que quer, vai embora mais cedo. Mas quase nunca falta em um happy hour.

Sua boca não saliva, destila veneno.  Pútrida, solta palavras doces quando há algum interesse. Mas isso ela não fala para o analista. Não desgruda do Whatsapp para tecer suas teias, nem deixe de postar suas fotos. Não não. Na falta de atributos físicos, ela busca sempre o melhor ângulo, conhece a câmera como ninguém.

Por isso sabe fotografar o que os outros tem de melhor, e anseia por isso, deseja isso. Não de forma sexual, mas ela quer roubar todos esses atributos. Efeito de uma insegurança sem fundo.

De tudo o que ela fala, confie em apenas 15%. Mesmo porque, na hora de contar uma história, ou passar algum briefing no trabalho, ela vai contar – no mínimo – três versões diferentes da mesma conversa.

Sempre tem uma desculpa que não envolva a frase “eu errei”, com convicção.

Maria Joana vai acabar solteirona . E folgada pra caralho.

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Publicado às 1 de julho de 2014 por em Caderninho, Crônicas, Textos e ensaios... e marcado , , , , .
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