MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

7# – 100 DIAS ESCREVENDO (RATOS PUXANDO SACO)

Frank Costello: I got this rat, this gnawing, cheese eating fuckin’ rat and it brings up questions… You know, see, Bill, like you’re the new guy. Girlfriend… Why don’t you stay in the bar that night I got your numbers. Social Security numbers. Everybody’s fuckin’ numbers.
Billy Costigan: Is there something that you just wanna go ahead and ask me? ‘Cause I’ll give you the fuckin’ answer, all right? Frank, look at me. Look at me. I’m not the fuckin’ rat. Okay? I’m not the fuckin’ rat.

mesa_de_bar

João está na mesa do bar. Com os olhos vermelhos e um copo americano de cerveja que faz o trajeto mesa-boca-mesa mais vezes que ele consegue se lembrar, discute com o amigo Júlio.

A câmera se aproxima enquanto o gestual inquieto do Júlio se torna curiosamente engraçado ao expectador. “Se você assistiu ao filme “Os Infiltrados” (The Departed) sabe que praticamente todo mundo na tela é um traidor, um agente infiltrado que gruda nas bolas dos chefões pagando de “bom moço” para subir rapidinho”.

João responde no seu sotaque lento e voz profunda, “aqui no Brasil é o que mais tem. Sociedade patriarcal, conservadora (mas que se vende pra frentex e preconceito free) e que deixa as menininhas de classe média loucas para gritarem “feminismo” em todas as suas redes sociais.  Assim acontece, nativamente sexualizados, a melhor saída é por cima, segurando no saco ou beijando o traseiro de quem está por cima – ou abrindo as pernas – ou o zíper ou o que for necessário para garantir o status quo ou agradar a clientela… pra se garantir”.

Eles param pra pedir mais um balde ao garçom.

“Ô amigo, traz mais uma pra gente aqui? Obrigado”.

Eu assisto.

Então chega o Gabriel, o “Lobo mal”, como os amigos o chamavam.  Depois das devidas saudações a conversa continua enquanto a mesa forma um quadrado entre eles.

“Vide as filas enormes de inscritos em concursos para funcionalismo público. Quem não quer um ‘emprego garantido para o resto da vida”, disse o recém chegado.

(Jogando gasolina sobre meu corpo)

“Ah, mas esse sou eu tentando expurgar um pouco no suor do  meu dia o sentimento de indignação criado pelo mundo jornalístico-corporativo que corta mais cabeças que a revolução francesa e se retroalimenta dos gozos e gritos da orgia”

(Riscando o fósforo, ele se inflama)

“Putos! Somos todos ratos, a chiar pra cima e pra baixo, se amontoando em informações inúteis e débeis e eu não tenho problemas em acionar minha metralhadora. Parem as máquinas! Parem de puxar sacos e vão ao trabalho”.

Eu digo, sensato, vindo da turma do “deixa disso” e chegando com panos quentes e cheirando a rosas ácidas, esperançoso e otimista “não adianta ser assim. Quem busca o trabalho para além do status, busca resultado, não fica fazendo média. Se nas redações e escritórios a prática não se revela tão bela quanto minhas experiências e expectativas, eu creio na bondade que há no ser humano. Uma hora um desafio vem ao qual a pessoa mostra por onde passou  e porquê ocupa tal posição. Não tenhamos, ainda estamos a salvo, o barco não tombou e a capacidade do homem se reinventar, vai mostrar que ele encontrará soluções para esse cenário, tão desolador”…

Continua….

 

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Publicado às 3 de julho de 2014 por em Cinema, Crônicas, Cultura in(útil), Textos e ensaios... e marcado , , , , .
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