MIRANTE 1

Apenas um grande caderno de notas. Um mirante de onde eu olho tudo e qualquer coisa e bato nas teclas pra registrar.

8# – 100 DIAS ESCREVENDO (Ronaldo em Klose)

Ainda estou tentando digerir a Copa do Mundo 2014. A Copa das Copas. Indiscutivelmente.  Essa sensação não é definida apenas pelos últimos 30 dias. Não, não. Essa crise de identidade já vem ocorrendo há – pelo menos – um ano.

Desde a Revolta da Salada, ano passado, com as passagens de ônibus – até o linchamento de ladrões – e passando por todo o cenário eleitoreiro que se estabeleceu por aqui.

Minha família é arbitrariamente contra a Dilma e muito se ouviu lá em casa, “quero que o Brasil perca a Copa pra ela não se reeleger”. O que pra mim não faz muito sentido. A futebol é uma coisa, a eleição é outra. É como torcer pro time do Santos perder o brasileiro pra prefeitura da cidade mudar – guardada as devidas proporções.

Ledo engano.

Todos sabem que minha segunda seleção em todas as copas é a alemã. Meu coração estava devidamente dividido na última terça-feira. Ainda assim, há algo de mágico acontecendo quando o time entra com esse uniforme amarelo em campo e cantamos o hino (a primeira metade apenas) a capela. Arrepia.

Nosso sentimento em relação ao futebol é um samba doido que compõe nosso sentimento de patriotismo.  Veja bem. Eu acho que as coisas devem ser separadas. Meu orgulho e amor por ser brasileiro devem extrapolar nossa tradição no futebol. Mas isso é utópico.

Quando vi o editorial do William Waack no Jornal da Globo do dia 08/07 um martelo bateu em minha cabeça.

Há diferenças entre Alemanha e Brasil. Diferença entre planejamento e improvisação. Diferença entre a organização para obtenção de resultados e o papo do tipo ‘faço e aconteço’, em geral, com poucos resultados. Existe diferença entre fatos e propaganda. Diferenças entre quem se preocupa em realizar e quem se dedica sobretudo a promessas. Diferença entre realidade e fantasia. Estou falando… de futebol.

Que soco ein? Eu pensei em mim mesmo. E desde já to tentando implementar uma mudança na maneira como faço as coisas. Nada de “deixa a vida me levar”, tão nosso.

Estudei em três instituições principais durante minha vida. Ensino fundamental no Colégio Luterano São Paulo. Ensino Médio Escola Técnica Estadual Jorge Street e faculdade na Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Três cenários muito diferentes. Muito diferentes.

Mas isso é conversa pra outro dia.

Também não vou ficar aqui tecendo mil elogios para a Alemanha – eles mesmos ó – falando o quão especiais nós somos.

Sim, essa é a Copa das Copas. Tirando o residual de idiotas que têm em tudo quanto é lugar e que adoram queimar alguns ônibus – ou espancar torcedores adversários na rua – o clima bom.

Inúmeras foram as provas do espírito esportivo tanto nosso quanto de outros times. O nome dessa Copa, no Brasil, é David Luiz. Pra todos verem, sua postura foi sempre irretocável – tanto no episódio do James quanto no choro sincero pela desclassificação.

E claro, teve a elegância e carisma alemães durante toda a estadia deles na copa. Não posso deixar de fazer um paralelo nesse jogo tão marcante.

O de Klose e Ronaldo. Os dois maiores artilheiros das copas.

Sobre Klose: Em 2005, quando ainda defendia o Werder Bremen, o atacante alemão se recusou a aceitar um pênalti marcado pelo juiz em cima dele em partida contra o Armenia Bielefeld. Sete anos depois, já com a camisa da Lazio, Klose avisou o juiz que havia feito um gol com a mão. O tento foi anulado.

Ainda com a camisa da Lazio, o atacante viveu outra cena muito curiosa na carreira. Em um clássico contra a Roma, Klose teve que ver faixas da torcida fascista de seu time associando seu nome à sigla SS, que representava uma das alas mais radicais de Adolf Hitler. Algo que o deixou chateado. “Política e futebol são coisas distintas. Me sinto enojado com a faixa”, disse. (Fonte ESPN)

Isso é postura. Totalmente diferente desse molejo que nos ensinam de rebolar sobre as responsabilidades e pular fora do barco inúmeras vezes quando parece mais vantajoso para nós, indivíduos.

Ronaldo! Joga muito no Curíntia. – que tem novo estádio – que gera debate até hoje – que todos sabem que foi super faturado – que foi o maior legado do Sanchez – que tinha ligações dentro da CBF – que tem ligações dentro da FIFA – que é tudo uma bagunça…

Nosso artilheiro está se afundando em comentários políticos estúpidos, e como todo bom político mudando de lado conforme seus interesses mudam de lado. Em um momento só elogios para o COI e governo. Em seguida, pula de lado ideológico. Coerência é palavra pouco explorada e praticada por nossa elite. classe média. classe C aqui.

E até hoje, alguém soube explicar a morte do travesti que causou polêmica sobre a imagem do cara?

A 9ine Sports and Entertainment vai bem, obrigado.

E nesse meio tempo, eis que eu lembro da Copa de 1994 e o quanto – desde criança – eu não gostava dele. Claro que pra uma criança de seis anos, a opinião dos pais conta muito. Então eu ouvia “pô, ele fica na banheira, não faz nada e só dá um toquinho pro gol”. Não achava ele um bom jogador. Aí veio o Fred…

Antes do Fred o Romário sempre aparecia na mídia como o baixinho-malandro-carioca-folgada-pacaraleo.  E eis que tomo mais uma bofetada quando leio o texto dele.  Não é que o cara parece estar fazendo um bom papel como político?

Ó Deus. Tanta dificuldade pra entender o cenário atual e esmerilhar toda essa crosta de sujeira feita de interesses sob interesses e dinheiro e desvios e tudo o mais…

Em 1950 o Brasil perdeu em casa. Éramos o país do futuro! Mas nascemos, crescemos e vivemos no sistema que aí está, diante de tantos Sarneys que prostituem e estrupam nossa linda garota de Ipanema, lincham suas filhas com bicicletadas na cabeça e as deixam esperando nos assoalhos dos hospitais. Menos o Lula, que vai para o Sírio-Libanês. Mas espera, também não culpo a Dilma. Seria a mesma coisa que culpar apenas o Felipão enquanto você tem um Fred que jogou nada, um Paulinho duvidoso, um Tiago Silva irresponsável (por causa daquele amarelo) etc. A presidente não pode abrir mão da governabilidade. Precisa agradar a maioria dos velhos senadores e deputados… a estrutura está falida.

Mas voltando a falar dos anos 1950, quando o Rio de Janeiro era pura elegância bossa-nova. Depois da derrota, nosso futebol se firmou. Aprendemos da adversidade pra superarmos todas as seleções. Somos a única cinco vezes campeã. (Prova de que quando queremos – de verdade – fazer algo bem feito, fazemos).

Mas no lugar da sexta estrela, levamos nessa copa sete pauladas – tão rápidas que nos nocautearam. Se fosse boxe seria uma sequência fria, certeira, poderosa, rosto, linha de cintura.. jab, jab, cruzado, gancho, direto, gancho, direto. Eu já levei uma surra no boxe e vou te dizer. Faz bem, obrigado.

De verdade, só diante da humilhação se olha no espelho e busca maneiras de se reinventar.

Eleição taí – taí outra coisa que precisava ser reinventada.

Ai Brasil. Como eu te amo… e como isso machuca.

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Publicado às 10 de julho de 2014 por em Política e marcado , , , , , , , , .
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